O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro avançou 1,1% no primeiro trimestre de 2026 na comparação com os três meses anteriores, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira, 29. O crescimento superou a mediana das expectativas de mercado, que apontava para uma expansão próxima de 1%, e representou a maior alta trimestral desde o mesmo período de 2024.
O resultado interrompe dois trimestres de estagnação: no terceiro trimestre de 2025, o PIB havia crescido apenas 0,1%, mesmo ritmo registrado no quarto trimestre. A aceleração confirma sinais antecipados pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que em 7 de maio afirmou: “O primeiro trimestre está melhor do que o imaginado”.
Setores e detalhamento
O IBGE detalhou que os setores que mais contribuíram para o avanço foram a agropecuária, a indústria extrativa mineral e outras atividades de serviços, como serviços financeiros e de informação. A agropecuária, beneficiada por safra recorde de grãos, cresceu 3,2% no período, enquanto a extrativa mineral avançou 2,8%, puxada pela produção de minério de ferro e petróleo. Já o setor de serviços, que responde por cerca de 70% da economia, registrou alta de 1,0%, com destaque para os segmentos de tecnologia da informação e intermediação financeira.
Comparação e projeções
A prévia do PIB divulgada pelo Banco Central em 18 de maio, conhecida como IBC-Br, havia apontado expansão de 1,3% no trimestre, 0,2 ponto percentual acima do número oficial. A diferença é atribuída a ajustes metodológicos e à cobertura parcial de dados utilizados pelo indicador do BC. Ainda assim, ambos os termômetros indicam um ritmo de crescimento superior ao observado nos últimos dois anos.
Analistas consultados pelo Boletim Focus mantêm projeção de expansão de 1,6% para o acumulado de 2026, enquanto a Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima um avanço de 2,0%. O resultado do primeiro trimestre, no entanto, coloca viés de alta nessas estimativas, especialmente se a recuperação se mantiver no segundo trimestre.
Conforme o PIRANOT vem acompanhando, o ambiente econômico ainda convive com a saída de capital estrangeiro do mercado acionário — o Ibovespa acumulou perdas de R$ 13,8 bilhões em maio, refletindo um cenário de aversão ao risco global. A dicotomia entre a atividade real e o fluxo financeiro evidencia que a retomada do PIB ainda precisa de validação externa.
Economistas ponderam que o impulso pode perder força com a recente aprovação, pela Câmara dos Deputados, do fim da escala 6×1 e da redução da jornada para 40 horas semanais, medidas que podem elevar custos para o setor produtivo. O governo federal, por sua vez, anunciou R$ 30 bilhões em crédito para motoristas, o que tende a aquecer o consumo no curto prazo.
O IBGE divulgará o PIB do segundo trimestre em agosto, e o Banco Central acompanha o desempenho da atividade para calibrar sua política monetária. A expectativa de Campos Neto de um crescimento acima de 2% no ano dependerá da manutenção desse ritmo e da ausência de choques externos.











