sábado, 18 de julho de 2026
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Anúncio unilateral de Washington foi obtido pelo senador Flávio Bolsonaro e coloca governo petista na defensiva a cinco meses da eleição

EUA classificam PCC e CV como terroristas, e oposição já usa contra Lula

Anúncio unilateral de Washington foi obtido pelo senador Flávio Bolsonaro e coloca governo petista na defensiva a cinco meses da eleição

· 4 min de leitura · Atualizado em 31.05.2026 · NEXUS A.I. do PIRANOT e Júnior Cardoso

Pontos-chave

  • Notícia traz atualização factual sobre: Decisão do governo Trump sobre PCC e CV será munição contra Lula na eleição
  • Fontes públicas e dados oficiais foram consultados para checagem.
  • Equipe acompanha desdobramentos para manter a publicação atualizada.

WASHINGTON e BRASÍLIA — O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (28) a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras, decisão que foi tomada sem consulta ao Brasil e entrou imediatamente no centro do tabuleiro eleitoral. A medida, que passa a valer em 5 de junho, foi recebida com constrangimento pelo Planalto e comemorada pela oposição, sobretudo pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que articulou pessoalmente a iniciativa em encontros com o presidente americano Donald Trump e o secretário de Estado Marco Rubio.

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A designação, comunicada pelo Departamento de Estado, coloca o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diante de um dilema sensível: uma resposta oficial contundente pode ser interpretada como defesa indireta das facções criminosas, enquanto o silêncio alimenta a narrativa de leniência. “É um pretexto para intervenção inaceitável”, reagiu o assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, em nota obtida pelo PIRANOT. Auxiliares do presidente admitem reservadamente que o tom da reação está sendo calibrado para não soar como proteção aos bandidos.

Do outro lado, Flávio Bolsonaro, que retornou de Washington há dois dias, comemorou o que chamou de “grande dia”. “Fiz mais pelo Brasil que Lula”, declarou o senador, que se reuniu com Trump e Rubio em 26 de maio, conforme revelou o PIRANOT. A investida do parlamentar foi relatada em primeira mão pelo jornal e expôs a fragilidade da diplomacia brasileira: Lula não tratou do assunto em seu encontro de três horas com o presidente americano na Casa Branca no início de maio, segundo o próprio petista admitiu posteriormente.

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A decisão americana também revela divisões internas nos Estados Unidos. Deputados democratas, liderados por Jim McGovern, enviaram carta ao secretário Rubio em 7 de maio pedindo que a classificação não fosse adotada. O grupo argumentou que a medida poderia legitimar o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e prejudicar a cooperação bilateral. O pedido foi ignorado.

Para o promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de São Paulo, a designação pode ter efeitos colaterais sobre a colaboração entre as polícias dos dois países. “O compartilhamento de informações e as investigações conjuntas podem ser afetados, porque agora essas facções passam a ser tratadas como ameaça à segurança nacional americana, e os protocolos mudam”, avaliou em entrevista ao jornal O Globo. Gakiya é uma das principais autoridades no enfrentamento ao PCC.

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Na prática, a inclusão do PCC e do CV na lista de organizações terroristas estrangeiras (FTO, na sigla em inglês) implica sanções financeiras, restrições de vistos e proibição de qualquer apoio material. Para o Brasil, o impacto mais imediato é político: a cinco meses da eleição presidencial, o episódio fornece munição valiosa para a oposição, que já explora a imagem de um governo desconectado da realidade do crime organizado.

A campanha do presidente Lula, que ainda não confirmou a reeleição, sabe que o tema é delicado. Embora o Ministério da Justiça venha realizando operações de grande porte, como a Compliance Zero, que mirou a lavagem de dinheiro do PCC, a percepção pública é de que o governo federal perdeu o controle. A chancela americana, portanto, funciona como um atestado externo de fracasso.

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Além de Flávio Bolsonaro, outros pré-candidatos da oposição, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), devem incorporar o tema em suas plataformas. A segurança pública, historicamente uma demanda prioritária do eleitor, ganha agora um componente internacional que pode pesar nas pesquisas.

O governo Lula tem evitado embates diretos com a administração Trump, temendo retaliações comerciais. A classificação das facções, no entanto, rompe com o protocolo de consulta mútua que costuma pautar as relações bilaterais. O Itamaraty estuda apresentar uma reclamação formal, mas a iniciativa esbarra na preocupação de que o gesto seja interpretado como ingerência nos assuntos americanos.

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O histórico recente mostra que decisões americanas sobre segurança já influenciaram campanhas eleitorais no Brasil. Em 2018, a prisão do ex-presidente Lula e a operação Lava Jato foram usadas como trunfo pela direita. Agora, a designação de terrorismo injeta um elemento novo no debate, que pode ser explorado em propagandas, debates e redes sociais.

O PIRANOT acompanha o desenrolar dos acontecimentos e mantém seu acervo histórico de reportagens sobre política e segurança pública sempre atualizado.


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