sábado, 18 de julho de 2026
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Imóvel de R$ 3,5 milhões foi adquirido pela J3 Real Estate dois meses após sua criação; caso é investigado no contexto dos aportes do Rioprevidência

Empresa de ex-secretário comprou cobertura onde Castro mora; PF faz busca

Imóvel de R$ 3,5 milhões foi adquirido pela J3 Real Estate dois meses após sua criação; caso é investigado no contexto dos aportes do Rioprevidência

· 4 min de leitura · Atualizado em 31.05.2026 · NEXUS A.I. do PIRANOT e Júnior Cardoso

Pontos-chave

  • J3 Real Estate foi criada em abril de 2023, menos de dois meses antes da compra do imóvel.
  • Mauro Farias era secretário estadual de Transformação Digital durante a gestão Castro.
  • A operação investiga R$ 2 bilhões em aportes do Rioprevidência no Banco Master.
  • Mandados foram autorizados pelo ministro André Mendonça do STF.
  • É a segunda ação da PF contra o ex-governador em intervalo de 15 dias.

A Polícia Federal executou mandado de busca e apreensão na cobertura onde mora o ex-governador Cláudio Castro (PL), no condomínio Península, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. O imóvel pertence à empresa J3 Real Estate Participações, constituída em abril de 2023 pelo ex-secretário estadual de Transformação Digital Mauro Farias — menos de dois meses antes da aquisição do apartamento, registrada em cartório por R$ 3,5 milhões. A operação desta terça-feira (26) foi a segunda ação da PF envolvendo Castro em intervalo de 15 dias, no âmbito da investigação sobre os aportes de R$ 2,01 bilhões do Rioprevidência no Banco Master.

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Documentos cartorários acessados pela reportagem mostram que a escritura de compra foi registrada no dia 16 de junho de 2023, cerca de duas semanas após o pagamento dos impostos de transferência de titularidade. A J3 Real Estate, empresa controlada por Farias, figura como proprietária formal do bem. O valor declarado na escritura — R$ 3,5 milhões — difere do valor estimado de mercado para o imóvel, que gira em torno de R$ 4 milhões, segundo avaliação de unidades semelhantes no mesmo endereço.

O cronograma que chama atenção

O intervalo entre a criação da J3 Real Estate Participações e a compra da cobertura desperta interesse dos investigadores pelo curto período: a empresa foi aberta em abril de 2023, e menos de 60 dias depois já havia adquirido um imóvel de valor milionário. Mauro Farias ocupou a pasta de Transformação Digital durante todo o governo Castro e figura como sócio da empresa compradora do apartamento. Não há, até o momento, registro público de contrato de aluguel entre Castro e a J3 Real Estate.

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A defesa do ex-governador afirma que ele reside no imóvel como inquilino, mas não apresentou documentação que comprove a relação locatícia oficialmente. Questionado sobre a operação, Castro limitou-se a declarar que mora no local de forma regular, sem detalhar as condições de ocupação. Mauro Farias não respondeu às solicitações de entrevista feitas pela imprensa até a publicação desta reportagem.

Contexto: Operação Compliance Zero

Os mandados cumpridos nesta terça-feira — dez ao todo, distribuídos entre o Rio de Janeiro e o Distrito Federal — inserem-se na oitava fase da Operação Compliance Zero, que apura possíveis fraudes em produtos financeiros oferecidos pelo Banco Master aos fundos de previdência estaduais. O foco da investigação recai sobre os aportes de R$ 2,01 bilhões do Rioprevidência na instituição financeira, operação que, segundo os investigadores, pode ter envolvido desvios de recursos públicos.

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Agentes da PF investigam se a estrutura societária da J3 Real Estate pode ter sido utilizada para fins de “ocultação de patrimônio” — hipótese que, até esta quarta-feira (27), permanece em fase de apuração, sem conclusões definitivas. O inquérito também deve examinar se a empresa possui outros bens registrados em seu nome e qual a trajetória financeira da companhia desde sua criação.

As conexões com o caso Master

O caso insere-se em um cenário mais amplo de investigações que afetam o cenário político fluminense. Documentos da operação apontam que os recursos aplicados pelo Rioprevidência no Banco Master podem ter sido desviados por meio de produtos financeiros de alta complexidade, sem a devida transparência para os beneficiários do fundo de previdência. A PF já realizou buscas em outros endereços ligados a investigados no âmbito do mesmo inquérito.

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Analistas do setor apontam que o “clima de Lava-Jato” mencionado por observadores do cenário político reflete a percepção de que múltiplas frentes de investigação estão sendo abertas simultaneamente, o que pode impactar as articulações políticas para o próximo ciclo eleitoral. Castro, que governou o Rio de Janeiro entre 2021 e 2022, permanece como figura relevante nas negociações do PL no estado.

Próximos passos da investigação

A investigação deve avançar sobre a origem dos recursos utilizados na compra do imóvel e sobre eventuais vínculos entre os aportes do Rioprevidência no Banco Master e o patrimônio de pessoas próximas ao ex-governador. Manifestações oficiais da defesa de Castro e de Farias ainda são aguardadas. O PIRANOT acompanha as investigações sobre o caso desde o início e mantém acervo histórico sobre as operações da Polícia Federal envolvendo gestores públicos do Rio de Janeiro.

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