O Papa Leão XIV publicou nesta segunda-feira (25) sua primeira encíclica, “Magnifica Humanitas”, na qual afirma que a inteligência artificial deve servir a toda a humanidade e não concentrar poder nas mãos de poucos. O documento, divulgado pelo Vaticano, é o principal posicionamento do pontífice sobre tecnologia desde sua eleição em maio de 2025.
Leão XIV pede que a IA seja “desarmada” e direcionada ao bem comum, com regulação robusta para evitar o agravamento das desigualdades. A encíclica também alerta que a humanidade precisa escolher entre usar a tecnologia para unir ou aprofundar divisões — comparando o risco a uma nova Torre de Babel.
Primeiro americano a liderar a Igreja Católica, Leão XIV divulga o documento em meio a um cenário global de acelerado desenvolvimento tecnológico e debates sobre marcos regulatórios. O texto surge após meses de tensões com o governo de Donald Trump, mas a encíclica não menciona nominalmente nenhum país ou líder político.
Principais alertas do documento
A encíclica aborda temas como ética da inteligência artificial, dignidade humana, bem comum, regulação e desigualdade. Leão XIV sustenta que a tecnologia não pode ser guiada apenas pela lógica do mercado ou por interesses de grandes corporações, devendo ter como centro a pessoa humana e o respeito aos direitos fundamentais.
A publicação católica America Magazine relata que o Pontífice emprega o conceito de “desarmar” a inteligência artificial, em linha com a defesa histórica da paz pela Igreja. O documento aponta que a tecnologia não pode ser instrumento de vigilância massiva ou manipulação social.
Repercussão no Brasil e contexto regulatório
O texto chega em um momento em que o Congresso Nacional discute o Projeto de Lei 2338/2023, que trata da regulação da inteligência artificial no Brasil. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) ainda não se manifestou oficialmente; a expectativa é que a entidade ecoe os alertas do Vaticano e influencie o debate público católico.











