A L’Oréal Brasil está reavaliando seu portfólio de 23 marcas para concentrar esforços nos produtos com maior potencial de escala. O movimento, segundo o CEO da companhia, Marcelo Zimet, é impulsionado pela disseminação das chamadas canetas emagrecedoras e pela transformação que elas devem provocar nos hábitos de consumo do brasileiro.
A gigante francesa de cosméticos enxerga uma oportunidade de mercado à medida que os agonistas de GLP-1, como a semaglutida — princípio ativo do Ozempic e do Wegovy —, avançam para um acesso massificado. A patente da molécula expirou em 20 de março de 2026, mas a chegada de genéricos às farmácias ainda depende de trâmites regulatórios da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o que pode levar meses.
Aposta na escala e portfólio enxuto
Em evento com investidores, Zimet foi direto: “Estamos abrindo mão de projetos que entendemos que são mais difíceis de escalar”, afirmou, sem detalhar quais linhas ou marcas poderão ser descontinuadas. A ideia é direcionar recursos para itens capazes de ganhar capilaridade nacional e surfar a onda de transformação corporal que as canetas emagrecedoras devem acelerar.
A decisão alinha-se a um movimento global do grupo, que em outubro de 2025 já havia adquirido a linha de perfumes da Kering, dona da Gucci, revisando prioridades de negócio. No Brasil, maior mercado de beleza da América Latina, os ajustes ganham urgência diante dos novos dados de consumo.
O efeito GLP-1 na economia da beleza
Levantamento da consultoria NielsenIQ mostra que os usuários das canetas reduziram a ingestão calórica em até 40%, o que já pressiona setores como o de moda plus size — em declínio — e impulsiona o mercado fitness e de bem-estar. Para a indústria de cosméticos, a mudança mais relevante está no tipo de produto demandado: cresce a procura por itens para firmeza da pele, cuidados com flacidez e remodelagem corporal.
“O corpo pós-emagrecimento exigirá novos rituais de beleza”, sinalizou o CEO da L’Oréal Brasil, reforçando que a empresa já trabalha em formulações voltadas a essa transição. A companhia, dona de marcas como L’Oréal Paris, Maybelline, Lancôme e La Roche-Posay, não detalhou quais lançamentos estão previstos. As declarações indicam que a próxima geração de produtos deve focar em tecnologias para regeneração e sustentação da pele.
Genéricos à espera e o cerco da Anvisa
Apesar do otimismo, a democratização dos medicamentos ainda enfrenta barreiras. Com a quebra da patente, fabricantes de genéricos podem solicitar registro à Anvisa, mas análises técnicas e testes de bioequivalência estendem o prazo para a chegada às prateleiras. Paralelamente, a agência intensificou a fiscalização sobre canetas importadas do Paraguai sem registro, prática que já levou à apreensão de lotes irregulares no país.
Esse cenário de regulação e repressão ao comércio ilegal tende a retardar o boom de consumo imediato, mas não muda a rota traçada pela L’Oréal. A empresa aposta que, quando os genéricos estiverem disponíveis a preços mais baixos, milhões de brasileiros terão acesso ao emagrecimento medicamentoso — e buscarão produtos para valorizar o novo corpo.
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