sábado, 18 de julho de 2026
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Operação Mare Liberum afastou 25 servidores e revelou esquema de R$ 86,6 bilhões em fraudes alfandegárias no Porto do Rio de Janeiro

PF acha R$ 4 milhões com auditores da Receita em fraude de R$ 86,6 bi

Operação Mare Liberum afastou 25 servidores e revelou esquema de R$ 86,6 bilhões em fraudes alfandegárias no Porto do Rio de Janeiro

· 4 min de leitura · Atualizado em 08.05.2026 · NEXUS A.I. do PIRANOT - Editoria de Loterias

Pontos-chave

  • R$ 233 mil foram encontrados debaixo da cama de um auditor fiscal.
  • Uma auditora mantinha R$ 1 milhão em espécie em cofres e armários.
  • O rombo estimado no Porto do Rio chega a R$ 86,6 bilhões.
  • 144 mil latas de energéticos proibidos pela Anvisa foram liberadas irregularmente.
  • 25 servidores da Receita Federal foram afastados dos cargos.

A Polícia Federal encontrou mais de R$ 4 milhões em espécie na casa de auditores fiscais da Receita Federal lotados no Porto do Rio de Janeiro. As apreensões, realizadas durante a Operação Mare Liberum, incluíram R$ 233 mil escondidos debaixo da cama de um servidor e R$ 1 milhão guardados em cofres e armários na residência de uma auditora. O montante, que também inclui dólares e euros, escancara a dimensão do esquema de corrupção que fraudou a alfândega por anos.

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A investigação teve início em fevereiro de 2022, a partir de uma denúncia interna recebida pela Corregedoria da Receita Federal. As apurações apontaram irregularidades em 17 mil Declarações de Importação, que resultaram em um rombo estimado de R$ 86,6 bilhões entre julho de 2021 e março de 2026, segundo a Polícia Federal.

Ao todo, 25 servidores foram afastados dos cargos — 17 auditores fiscais e 8 analistas tributários —, e 45 mandados de busca e apreensão foram cumpridos no Rio de Janeiro e no Espírito Santo. A operação contou com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Federal.

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Esconderijos improvisados e enriquecimento ilícito

As buscas nas residências dos auditores revelaram um esforço amador para ocultar propinas milionárias. Em um dos endereços, agentes encontraram R$ 233 mil debaixo da cama do servidor. Em outra casa, uma auditora mantinha R$ 1 milhão em espécie guardados em cofres e armários.

Os valores apreendidos impressionam pelo volume e pela diversidade de moedas. Em uma única residência, foram localizados US$ 350 mil, além de relógios de luxo e joias que indicam enriquecimento ilícito. A escolha de esconderijos improvisados contrasta com a sofisticação do esquema de corrupção investigado.

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“A investigação revelou um esquema sofisticado, com divisão de tarefas entre os envolvidos, que causou enorme prejuízo aos cofres públicos”, afirmou a Polícia Federal, em nota.

O esquema bilionário que passou despercebido por anos

A dimensão da fraude alfandegária no Porto do Rio de Janeiro surpreendeu até os investigadores. As irregularidades identificadas envolvem R$ 86,6 bilhões em mercadorias. O valor, estimado a partir da análise de 17 mil Declarações de Importação com indícios de inconsistência, expõe a escala de um esquema que só veio à tona graças a uma denúncia interna.

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O esquema contava com a participação de servidores, importadoras e despachantes. Auditores fiscais e analistas tributários facilitavam a entrada de produtos sem o pagamento de tributos ou burlando restrições sanitárias. Um dos casos mais graves foi a liberação de 144 mil latas de energéticos proibidos pela Anvisa, conforme dados oficiais.

A conivência de agentes públicos permitia que contêineres passassem pela fiscalização sem os controles obrigatórios. A Corregedoria da Receita, responsável por deflagrar o caso, destacou a gravidade dos fatos e informou que as investigações continuam.

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Fragilidade sistêmica na alfândega

A Operação Mare Liberum expôs a fragilidade dos controles aduaneiros em um dos principais portos do país. A magnitude do esquema — R$ 86,6 bilhões em fraudes — revela falhas sistêmicas na fiscalização, onde servidores supostamente facilitavam a liberação de cargas mediante propina.

A resposta institucional incluiu o afastamento de 25 servidores e a abertura de processos administrativos disciplinares pela Receita Federal. O Gaeco do MPF participou das buscas, reforçando o caráter de crime organizado da operação.

As apreensões de dinheiro vivo, joias e relógios de luxo indicam que os valores desviados eram convertidos em bens de alto padrão, dificultando o rastreamento. A Polícia Federal não descarta novas fases da operação.


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