O governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, chorou ao lado do presidente Lula em solenidade na Fiocruz nesta sexta-feira (17), sob gritos de ‘fica, fica’ da plateia.
Couto se emocionou ao citar a adesão do estado ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) e o que classificou como ‘carinho’ do governo federal com o Rio de Janeiro. ‘Assim como no Judiciário, é importante a sensibilidade social de quem atua no Executivo para as pessoas que precisam’, afirmou o governador em exercício, antes de chorar.
Desembargador do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), Couto assumiu o governo interinamente diante da crise fiscal do estado. Em 9 de julho, ele anunciou um plano de corte de R$ 5 bilhões em despesas e estimou ter mais 60 dias no cargo.
O plano prevê a redução do número de secretarias estaduais de 35 para 23. Os R$ 5 bilhões em cortes equivalem a 138% de todo o orçamento municipal de Piracicaba para 2026, estimado em R$ 3,62 bilhões.
Plano de corte de R$ 5 bilhões
O anúncio de 9 de julho, feito em entrevista ao jornal O Globo, ocorreu dias antes da solenidade na Fiocruz. Couto, que é desembargador, assumiu o Palácio Guanabara de forma interina e tem conduzido uma reforma administrativa com foco na redução de despesas.
A crise fiscal do Rio de Janeiro é um dos principais desafios do estado. A dívida estadual motivou a adesão ao Propag, programa federal que permite o alongamento do pagamento de débitos com a União.
Adesão ao Propag
Durante o evento na Fiocruz, Couto afirmou que o governo federal tem tratado o Rio com ‘carinho’ ao viabilizar a adesão ao Propag. O programa, coordenado pelo Ministério da Fazenda, estabelece condições para que estados endividados renegociem seus débitos.
As condições financeiras específicas da adesão do Rio ao Propag, no entanto, não foram detalhadas publicamente. O governo estadual não divulgou os valores envolvidos, os prazos de pagamento ou o impacto fiscal de longo prazo da renegociação.
Reação e cenário político
O choro de Couto foi acompanhado por gritos de ‘fica, fica’ da plateia, em referência à possibilidade de sua permanência no cargo. O governador Cláudio Castro (PL) está afastado desde dezembro de 2025 por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no âmbito de investigações sobre corrupção.
A situação de Castro permanece indefinida, e não há prazo para julgamento definitivo. Couto, como desembargador, ocupa o cargo de forma temporária, e a Constituição estadual prevê novas eleições em caso de vacância definitiva — cenário que ainda não se configura.
A adesão ao Propag depende de trâmites burocráticos federais ainda não concluídos. O governo do Rio não informou se há cronograma para a assinatura formal do acordo.
O debate sobre a relação fiscal entre União e estados ganhou novos contornos em 2026. O Congresso Nacional avalia a derrubada de veto do presidente Lula a um projeto que trata de repasses a municípios em dívida com a Previdência, conforme mostrou o PIRANOT.











