O governo dos Estados Unidos publicou na noite de quarta-feira (16) a resolução que impõe tarifa adicional de 25% sobre produtos exportados pelo Brasil, com vigência a partir de 22 de julho. A medida, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio americana, foi confirmada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e provocou reação imediata nos mercados financeiros e no governo brasileiro.
O dólar comercial fechou em alta de 0,40% nesta quinta-feira (17), cotado a R$ 5,0983, enquanto o Ibovespa recuou 1,28%, aos 173.753 pontos, segundo dados da B3. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu em publicação nas redes sociais, defendendo o Pix — um dos argumentos usados pelo USTR para justificar a tarifa — e afirmou que ‘ninguém vai fazer a gente mudar o Pix. É público, é de graça e vai continuar assim’.
A resolução do USTR menciona ainda decisões judiciais, corrupção e desmatamento como justificativas para a sobretaxa, que abrange mais de 2 mil itens da pauta exportadora brasileira. O governo Lula avalia que há espaço para negociar exceções e ampliar a lista de produtos isentos.
Escalada de tensões e preparação brasileira
A imposição da tarifa de 25% é o capítulo mais recente de uma escalada de atritos comerciais entre os dois países. Em junho, o presidente Lula viajou à cúpula do G7 e preparou uma carta a Donald Trump após o tarifaço inicial. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) já havia calculado que as tarifas americanas ameaçam 54,1% das exportações brasileiras para os EUA, conforme levantamento de junho.
Impacto bilionário e resposta do governo
Levantamento da Câmara Americana de Comércio (Amcham) aponta que o tarifaço atinge US$ 11 bilhões em exportações do Brasil, segundo dados divulgados na quarta-feira (16). Para mitigar os efeitos, o governo anunciou nesta sexta-feira (17) uma linha de crédito de R$ 15 bilhões para exportadores. A poucos meses da eleição presidencial, a nova frente de pressão econômica alimenta o debate eleitoral, com a oposição criticando a diplomacia do Planalto.
Próximos passos e lacunas
O Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) ainda não divulgaram nota oficial sobre a tarifa. O governo prepara medidas de reciprocidade com base na Lei de Reciprocidade Econômica, mas a lista completa de produtos atingidos e as exceções negociadas dependem de publicação oficial do USTR. A tarifa entra em vigor em 22 de julho, e o Brasil mantém canais de diálogo abertos com Washington.











