A Argentina chega à semifinal da Copa do Mundo de 2026 contra a Inglaterra com um peso que vai além da rivalidade: a atual campeã mundial não vence uma seleção do top 10 do ranking da Fifa, com bola rolando, em Mundiais desde 2014. O último triunfo nesse recorte foi o 1 a 0 sobre a Bélgica, então quinta colocada, nas quartas de final daquele torneio.
A expressão “com bola rolando” é o ponto central da conta. Ela inclui vitórias no tempo normal e na prorrogação, mas exclui classificações resolvidas nos pênaltis. Por isso, avanços contra rivais fortes que terminaram nas cobranças não entram como vitórias dentro desse critério.
O que entra na conta do jejum
Depois da vitória sobre a Bélgica em 2014, a Argentina voltou a encarar seleções de elite do ranking em Copas, mas não as derrotou antes dos pênaltis. A Holanda, sétima colocada em 2014 e oitava em 2022, aparece nas duas campanhas como adversária eliminada em disputas por penalidades. A França, quarta do ranking em 2022, também levou a final daquele Mundial para uma decisão além do jogo corrido.
A goleada por 3 a 0 sobre a Croácia na semifinal de 2022 não rompe esse recorte porque os croatas ocupavam a 12ª posição do ranking naquele momento, fora do grupo das dez seleções mais bem colocadas. O dado não diminui o título argentino no Catar, mas ajuda a explicar por que o duelo com a Inglaterra ganhou status de teste mais duro da campanha atual.
Por que a Inglaterra muda o peso da campanha
A trajetória argentina em 2026 foi construída sem cruzar, até a semifinal, com uma seleção do top 10 da Fifa. Nas oitavas, a classificação contra Cabo Verde exigiu 138 minutos e expôs dificuldade contra um adversário de menor peso histórico. A Inglaterra muda a escala do desafio: além de estar entre as dez melhores do ranking, ocupa a quinta posição e já levantou a taça mundial.
O confronto também tem um componente simbólico para Lionel Messi. O camisa 10 nunca enfrentou a Inglaterra em Copas do Mundo, apesar da longa sequência argentina em fases decisivas. Para uma seleção que venceu o último Mundial e tenta confirmar domínio em outro ciclo, a semifinal funciona como uma prova de força contra um rival de prateleira mais alta.
A partida decide uma vaga na final da Copa de 2026. Do outro lado da chave, França e Marrocos disputam a outra semifinal, em um caminho que pode recolocar a Argentina diante de mais um adversário de grande porte se superar a Inglaterra.











