A BigHome Brasil faturou R$ 515 mil em uma única transmissão ao vivo de vendas de panelas no TikTok Shop, estabelecendo um recorde brasileiro na plataforma. A marca foi alcançada por Rafael Sobral Pedroso, de 27 anos, que fundou a empresa há oito anos revendendo produtos do centro de São Paulo.
O valor, confirmado pela própria varejista, supera em cinco vezes o faturamento do segundo maior marketplace da BigHome. A live, realizada em junho, consolidou o TikTok Shop como principal canal de vendas da empresa, que passou a operar na plataforma em dezembro de 2025 por sugestão de um fornecedor.
Apesar do resultado expressivo, a empresa não detalhou a margem líquida da operação. O cálculo do lucro efetivo se torna mais relevante após o TikTok Shop anunciar, em 8 de julho, um reajuste de 50% nas taxas cobradas de lojistas — medida que pode comprimir a rentabilidade de negócios dependentes das lives.
Live commerce ganha escala no Brasil
O TikTok Shop estreou no Brasil em maio de 2024 e, em pouco mais de dois anos, transformou o comércio eletrônico ao integrar entretenimento e compras. Dados da própria plataforma indicam que o número de lives diárias cresceu 20 vezes no período, enquanto o volume bruto de mercadorias (GMV) avançou 102 vezes. A adaptação a meios de pagamento locais, como o Pix, foi decisiva para a rápida adoção.
O caso da BigHome ilustra a migração de pequenos e médios varejistas para o social commerce, que desafia a hegemonia de marketplaces tradicionais como Mercado Livre e Shopee. Outros vendedores também têm alcançado marcas expressivas: em maio, uma live de uma cantora faturou quase R$ 800 mil em 45 minutos, segundo dados da plataforma. A expansão de plataformas de tecnologia para novos mercados não é novidade: o PIRANOT mostrou como a Qualcomm projeta faturar US$ 15 bilhões com chips para data centers na China até 2029, em movimento semelhante de diversificação.
Reajuste de 50% nas taxas pressiona margens
O anúncio do TikTok Shop de aumentar as tarifas para lojistas em 50% a partir de julho acendeu um alerta no setor. A medida ocorre em um momento em que a plataforma busca rentabilizar sua base de vendedores, mas pode afetar a sustentabilidade de negócios que dependem das lives como principal fonte de receita.
A BigHome não revelou se o reajuste já impacta suas operações ou se pretende ajustar preços. A empresa também não informou se o recorde de R$ 515 mil será submetido a auditoria independente. Procurado, o TikTok Brasil não se manifestou sobre o caso até a publicação desta reportagem.
O mercado agora observa se o live commerce manterá o ritmo de crescimento diante do aumento de custos. A próxima divulgação de resultados da BigHome, prevista para o segundo semestre, deve trazer os primeiros indicadores do efeito das novas taxas sobre a lucratividade do negócio.










