Jair Bolsonaro reforçou o apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência e fez um apelo público por unidade no campo bolsonarista em meio à crise aberta com Michelle Bolsonaro. A carta atribuída ao ex-presidente foi lida pelo senador na manhã deste sábado (11), durante transmissão ao vivo em seu canal no YouTube, após uma visita ao pai em Brasília.
No texto, Bolsonaro afirma que “o momento é de arregaçar as mangas, deixarmos de lado as possíveis diferenças e cada um se empenhar pelo nosso pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro”. O ex-presidente também chama o filho de seu porta-voz e diz que ele é a “melhor opção para resgatar o Brasil”.
A manifestação tenta enquadrar a disputa interna no PL depois de dias de desgaste entre Flávio e Michelle. O senador voltou ao Brasil em 9 de julho cobrando apoio da ex-primeira-dama e afirmou estar aberto ao diálogo. A cobrança ampliou a pressão sobre Michelle, vista por parte da direita como um nome competitivo para 2026.
Carta tenta impor linha única no PL
A escolha das palavras de Bolsonaro tem peso político porque Flávio busca se consolidar como herdeiro eleitoral do pai, mas ainda enfrenta resistência dentro do próprio campo. A carta desloca a disputa para um terreno mais direto: quem se apresenta como aliado do ex-presidente passa a ser pressionado a aderir à pré-candidatura do senador.
Michelle, porém, não havia se manifestado publicamente sobre a carta após a leitura feita por Flávio. A ausência de reação mantém em aberto o principal teste político do gesto: saber se o endosso de Bolsonaro basta para conter o racha ou se a crise continuará exposta na pré-campanha do PL.
A ex-primeira-dama aparece com 22% das intenções de voto em cenário de primeiro turno contra 41% do presidente Lula, segundo pesquisa Datafolha publicada em maio. O dado ajuda a explicar por que seu apoio se tornou peça central na tentativa de unificar a direita em torno de Flávio.
Direita chega pressionada à disputa
O movimento ocorre a menos de três meses do primeiro turno e em um ambiente de fragmentação na oposição. Em 1º de julho, pesquisa publicada pelo PIRANOT mostrou Lula à frente de Flávio Bolsonaro por 6,5 pontos em simulação de segundo turno. Sem uma base coesa, a campanha do PL tende a ter mais dificuldade para reduzir a vantagem do petista.
A crise também não começou com a carta. Em maio, o governador Tarcísio de Freitas já havia elevado o tom com Flávio, em mais um sinal de disputa por espaço dentro do bolsonarismo. Desde então, o senador tenta se apresentar como o nome natural do grupo, enquanto aliados cobram uma composição que inclua Michelle e outras lideranças da direita.
O efeito prático da carta dependerá da reação da ex-primeira-dama e dos demais caciques do PL. Por ora, Bolsonaro deu a Flávio o endosso que o senador buscava; falta saber se o gesto terá força para transformar apoio familiar em unidade partidária.











