O CEO da SK Hynix, Kwak Noh-jung, afirmou nesta sexta-feira (10) que a indústria global de memória enfrentará a pior escassez de oferta de sua história em 2027, mesmo com a expansão agressiva de capacidade. O alerta foi dado no mesmo dia em que a fabricante sul-coreana estreou na Nasdaq com a captação de US$ 26,5 bilhões, o segundo maior IPO do mundo.
A previsão acende um sinal de alerta para o mercado de eletrônicos e inteligência artificial, já que a SK Hynix é a principal fornecedora de memórias de alta largura de banda (HBM), essenciais para data centers de IA. A escassez pode encarecer smartphones, computadores e servidores, pressionando a cadeia global de tecnologia.
A oferta pública inicial (IPO) da empresa na bolsa americana levantou US$ 26,5 bilhões com a venda de 177,9 milhões de recibos de ações (ADRs) ao preço de US$ 149 cada, segundo dados da operação. A demanda pelos papéis superou em sete vezes a oferta inicial, e os ADRs fecharam o primeiro dia de negociação a US$ 171,21, uma alta de 14,9%.
Domínio nas memórias para IA
A SK Hynix consolidou-se como fornecedora-chave de memórias HBM para chips de inteligência artificial, impulsionada pela parceria com a Nvidia e o boom da IA generativa iniciado em 2023. As ações da empresa na Coreia do Sul subiram 770% nos 12 meses anteriores ao IPO americano, refletindo a expectativa de crescimento contínuo da demanda.
A estreia na Nasdaq ocorre dias após a empresa lançar recibos de ações (ADRs) nos EUA, como o PIRANOT noticiou. O valor final do IPO ficou ligeiramente abaixo dos US$ 28 bilhões inicialmente estimados, mas ainda assim superou o recorde do Alibaba em 2014.
Expansão bilionária e alerta de escassez
Para atender à demanda, a SK Hynix planeja triplicar a produção de wafers até 2034, conforme reportagem do PIRANOT. O governo da Coreia do Sul também mobilizou Samsung e SK Hynix em um plano de US$ 373 bilhões para liderar o setor de chips, iniciativa revelada em junho.
Apesar dos investimentos, Kwak Noh-jung disse à Reuters que a demanda dos clientes continuará superando a capacidade de produção até 2030. “Prevemos que o próximo ano será o pior ano na história do setor sob a perspectiva da oferta”, afirmou. A escassez projetada deve pressionar os preços de componentes eletrônicos, mas o impacto exato no mercado brasileiro ainda é incerto, uma vez que a conversão cambial e os custos logísticos podem amplificar os efeitos.










