São Paulo está a caminho de figurar entre os dez maiores mercados de interconexão de dados do mundo até 2030, segundo pesquisa da operadora alemã DE-CIX realizada com cerca de 150 executivos dos segmentos de infraestrutura digital e conectividade. O levantamento, divulgado nesta quinta-feira (9), indica que 80% dos entrevistados atribuíram nota máxima à possibilidade de a capital paulista alcançar o top 10 global.
A DE-CIX é uma das principais operadoras de pontos de troca de tráfego (IXPs) do mundo, responsável por conectar redes e otimizar o fluxo de dados na internet. A projeção reflete o crescimento acelerado de data centers na Região Metropolitana de São Paulo e em Campinas, impulsionado pela proximidade com cabos submarinos e pela concentração de grandes consumidores corporativos.
No entanto, a pesquisa não detalha a posição atual de São Paulo no ranking, a capacidade em megawatts necessária para atingir o topo nem os investimentos previstos para o período. Essas lacunas limitam a avaliação do impacto real da expansão.
Expansão dos data centers
O Brasil concentra a maior parte do mercado de data centers da América Latina, e São Paulo é o principal hub de atração de investimentos de hyperscalers — grandes empresas de tecnologia que demandam infraestrutura massiva de processamento e armazenamento. A proximidade com os cabos submarinos que chegam ao litoral paulista reduz a latência e torna a região estratégica para a interconexão de dados.
Empresas como a Scala Data Centers, uma das principais provedoras de infraestrutura de data centers na América Latina, têm ampliado sua presença no estado. A expansão também impacta o interior paulista, especialmente o eixo Campinas-Piracicaba, que atrai empresas de tecnologia em busca de terrenos e energia disponíveis.
A movimentação no setor de eventos de negócios em São Paulo também é intensa: a feira Hospitalar, por exemplo, gerou R$ 3,2 bilhões em negócios, conforme noticiou o PIRANOT.
Gargalos e incertezas
Apesar do otimismo, a pesquisa não traz números que permitam dimensionar o esforço necessário para que São Paulo entre no top 10. Não há informações sobre a capacidade atual de interconexão da cidade, a posição no ranking global ou a demanda adicional de energia elétrica — um dos principais gargalos apontados por especialistas do setor.
A expansão de data centers exige grande consumo de eletricidade, e a infraestrutura energética da região metropolitana pode se tornar um limitador. Sem dados oficiais sobre investimentos em geração e transmissão, a projeção da DE-CIX permanece como uma sinalização de tendência, mas não como uma previsão consolidada.
Próximos passos
O mercado aguarda relatórios mais detalhados que quantifiquem a capacidade de interconexão e os investimentos previstos para os próximos anos. A entrada de São Paulo no top 10 global depende não apenas da construção de novos data centers, mas também da expansão da rede elétrica e da regulação do setor.
Enquanto isso, a atração de empresas de tecnologia para o interior paulista continua, com o estado se consolidando como o principal polo de infraestrutura digital do país. A pesquisa da DE-CIX, embora limitada, reforça a percepção de que São Paulo está no caminho certo para se tornar um dos principais nós da internet mundial.










