O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, afirmou nesta terça-feira (7) que passará a tratar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, como inimigo dos trabalhadores caso a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6×1 não avance no Senado até a próxima semana. O prazo é apertado: o recesso parlamentar começa em 17 de julho — restam 8 dias úteis.
Aprovada pela Câmara em 15 de maio, a PEC aguarda, há quase dois meses, despacho de Alcolumbre à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Sem relator definido e sem prazo estabelecido, a proposta não avançou uma etapa sequer desde que chegou à Casa. O rito regimental mínimo — indicação de relator, aprovação na CCJ e dois turnos em plenário — dificilmente seria concluído em 8 dias úteis sem acordo expresso entre os líderes das bancadas.
Alcolumbre não se pronunciou sobre o ultimato até a publicação desta matéria. A declaração de Uczai não obteve resposta formal da Presidência do Senado sobre eventual previsão de despacho da PEC à CCJ.
PEC parada no Senado desde maio: sem relator, sem prazo
A proposta que eliminaria a escala de seis dias de trabalho por um de folga chegou ao Senado após aprovação na Câmara em 15 de maio, impulsionada por movimentos sindicais e redes sociais. Desde então, como o PIRANOT revelou na segunda-feira (6), a PEC patina no Senado sem relator e sem prazo: nenhum senador foi designado para analisar a proposta e não há data marcada para a CCJ pautar o tema.
Para ser promulgada, a PEC precisa ainda passar pela CCJ, ser votada em dois turnos no plenário do Senado e só então ser promulgada pelo Congresso Nacional. Cada uma dessas etapas demanda prazo regimental que a janela de 8 dias úteis dificilmente comportaria sem sinalização formal de calendário acelerado por parte da presidência do Senado.
Alcolumbre acumula adiamentos de pautas prioritárias do governo
A ameaça de Uczai se insere em um quadro de atritos crescentes entre o PT e a presidência do Senado. Em junho, Alcolumbre adiou a votação de uma PEC de R$ 30 bilhões após reunião com Teresa Leitão, nova líder do governo no Senado — episódio interpretado pelo PT como mais um adiamento de pauta prioritária do governo Lula.
O padrão de conflitos chegou a ser reconhecido pelo próprio Legislativo: o presidente da Câmara, Hugo Motta, confirmou a ruptura entre Lula e Alcolumbre e defendeu a retomada do diálogo. A PEC da escala 6×1, por concentrar o maior apelo popular das propostas do governo no primeiro semestre de 2026, tornou-se o centro visível desse embate.
Recesso de 17 de julho define o prazo real para a proposta
Se Alcolumbre não despachar a PEC à CCJ nos próximos dias, a tramitação só poderá ser retomada após o recesso parlamentar, em agosto — já no segundo semestre do ano eleitoral. A bancada do PT não informou qual será sua estratégia caso o prazo expire sem resposta do Senado.
Uczai não detalhou medidas concretas além de reclassificar Alcolumbre como adversário. A resposta da presidência do Senado ao ultimato não havia sido divulgada até o fechamento desta matéria.











