Os Estados Unidos perderam espaço nas exportações brasileiras no primeiro semestre de 2026 e ficaram com 9,4% das vendas externas do país, a menor fatia desde o início da série histórica, em 1997. O recuo ocorre em meio à pressão tarifária do governo Donald Trump e contrasta com um semestre de expansão do comércio brasileiro com outros mercados.
A corrente de comércio entre Brasil e Estados Unidos somou US$ 36,4 bilhões de janeiro a junho, queda de 12,8% em relação ao mesmo período de 2025, de acordo com números do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços compilados pela Amcham Brasil. As exportações brasileiras para o mercado americano alcançaram US$ 17,4 bilhões e recuaram cerca de 13%.
O movimento inverte a fotografia do comércio exterior brasileiro no semestre. Enquanto as vendas aos Estados Unidos caíram, as exportações totais do Brasil cresceram 11,5%. No mesmo intervalo, os embarques para a China avançaram 21,9%, e os destinados à União Europeia subiram 12,8%.
Tarifas pesam sobre produtos brasileiros
A perda de participação americana aparece com mais força no grupo de produtos brasileiros atingidos por sobretaxas de 10%. Nesse recorte, as vendas aos Estados Unidos caíram 25,9%, quase o dobro da queda geral das exportações brasileiras para o país no semestre.
A diferença entre os dois números mostra que o tarifaço não atingiu todo o comércio bilateral da mesma forma. Parte da pauta brasileira continuou embarcando para os Estados Unidos, mas os itens sobretaxados sofreram uma contração mais intensa e puxaram para baixo o peso do mercado americano no total exportado pelo Brasil.
Na série semestral da Amcham Brasil, iniciada em 1997, a participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras nunca havia ficado abaixo de 10%. O piso foi rompido em 2026, com a fatia de 9,4%, em um momento no qual outros destinos absorveram mais produtos brasileiros.
Brasil vende menos aos EUA e amplia déficit
O enfraquecimento das vendas brasileiras também aparece no saldo comercial. O Brasil encerrou o primeiro semestre com déficit de US$ 1,5 bilhão nas trocas com os Estados Unidos. Na corrente total de comércio exterior do país, que soma exportações e importações, os americanos responderam por 11,1%.
Para exportadores, a mudança reduz a previsibilidade de contratos voltados ao mercado americano. Empresas que dependem de embarques aos Estados Unidos passam a lidar com margem menor, risco de redirecionamento de cargas e maior incerteza sobre preços, volumes e planejamento de produção no segundo semestre.
O avanço de China e União Europeia reforça uma reacomodação do mapa comercial brasileiro. A China cresceu acima da média das exportações totais do Brasil, enquanto a União Europeia acompanhou o ritmo de alta do comércio bilateral com uma expansão de 12,8%. No mesmo período, os Estados Unidos perderam participação relativa e volume comprado.
Discussão em Washington define próxima etapa
A disputa tarifária entrou em nova fase com audiências em Washington conduzidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, órgão responsável pela política comercial americana. A discussão ocorre em meio à possibilidade de consolidação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.
O ponto decisivo agora é a definição americana sobre a política tarifária aplicada ao Brasil. Se a sobretaxa avançar, exportadores brasileiros terão de recalcular preços e rotas comerciais, enquanto o governo brasileiro avalia uma resposta compensatória para proteger setores mais expostos ao mercado dos Estados Unidos.











