As companhias aéreas dos Estados Unidos gastaram US$ 6,66 bilhões com combustível em maio de 2026, alta de 85% em relação ao mesmo mês do ano anterior, de acordo com dados do Departamento de Transportes dos EUA.
Em maio de 2025, a conta havia sido de US$ 3,62 bilhões. O avanço, de cerca de US$ 3 bilhões em um ano, mostra a pressão simultânea de preço e consumo sobre uma das linhas mais sensíveis do orçamento das empresas aéreas.
O impacto não fica restrito ao mercado americano. O querosene de aviação segue preços internacionais e entra diretamente no custo operacional de empresas brasileiras como Azul, Gol e Latam. Quando o combustível sobe, as companhias perdem margem para segurar tarifas, sobretudo em rotas com alta concorrência e demanda instável.
Preço por galão quase dobra em um ano
O preço médio pago pelas aéreas americanas passou de US$ 2,21 por galão em maio de 2025 para US$ 4,09 em maio de 2026. A diferença de US$ 1,88 por galão ajuda a explicar o salto da despesa total, embora a conta final também dependa de malha, ocupação dos voos e volume consumido.
A alta ocorre em um momento de maior tensão no mercado de energia. Conflitos no Oriente Médio pressionam petróleo, refino e derivados, justamente quando a aviação ainda tenta recompor rentabilidade depois dos anos de demanda reprimida e endividamento elevado.
Para as empresas, combustível caro reduz a margem de manobra: a passagem precisa competir por preço, mas o insumo sobe em dólar e acompanha a dinâmica global do petróleo. Essa combinação é especialmente dura para companhias de baixo custo e operadores com menor capacidade de absorver oscilações.
Por que isso importa para as passagens no Brasil
No Brasil, o querosene de aviação também é influenciado por câmbio, petróleo e paridade internacional. A Petrobras reduziu o preço do QAV em 14,46% no início de julho, mas a queda do combustível não se transforma automaticamente em bilhetes mais baratos. A lógica inversa também vale: combustível mais caro pressiona custos, mas não vira reajuste linear e imediato em todas as rotas.
As tarifas dependem de antecedência da compra, demanda, concorrência, câmbio, ocupação dos voos e estratégia comercial. Ainda assim, o combustível costuma estar entre os maiores custos das aéreas e pesa no planejamento de malha, promoções e rentabilidade por rota.
A sensibilidade operacional é alta. Em junho, a Azul estimou economia de R$ 3 milhões por mês em um cenário de passageiros 2 kg mais leves, sinal de como variações aparentemente pequenas de peso, consumo e eficiência entram no cálculo das empresas.
Empresas mais frágeis sentem antes
O aumento do combustível tende a atingir primeiro companhias com balanços mais pressionados. A Spirit Airlines, empresa americana de baixo custo em processo de falência, ilustra a vulnerabilidade de operadores que já chegam à alta de custos com pouca folga financeira. O combustível, sozinho, não explica a crise, mas agrava um quadro de margem apertada.
No mercado brasileiro, o efeito prático para o consumidor dependerá das decisões comerciais de Azul, Gol e Latam. Se o querosene continuar pressionado no exterior e o câmbio jogar contra, as empresas terão menos espaço para absorver custos sem mexer em tarifas, frequências ou promoções.
Por ora, o dado concreto é a disparada da conta americana: US$ 6,66 bilhões em maio, contra US$ 3,62 bilhões um ano antes. O próximo sinal para o passageiro brasileiro virá da trajetória do QAV, do dólar e da forma como as companhias ajustarão preços e oferta no segundo semestre.











