Petrobras e Vast Infraestrutura assinaram na segunda-feira (6) o primeiro contrato take-or-pay da parceria de sete anos para transbordo de petróleo no Porto do Açu, no norte do Rio de Janeiro.
O modelo take-or-pay obriga a Petrobras a remunerar a Vast por uma capacidade mínima de uso do terminal, independentemente do volume efetivamente movimentado. Petrobras e Vast não informaram os valores financeiros envolvidos nem o volume mínimo de barris acordado na cláusula.
O contrato reorganiza a divisão de riscos operacionais entre as partes: a estatal passa a assumir o risco de volume — pagando mesmo em períodos de menor demanda —, enquanto a operadora obtém previsibilidade de receita para o T-Oil. A Vast opera o terminal desde o início da parceria, em janeiro de 2019.
Parceria de sete anos e controle chinês desde 2025
A cooperação entre Petrobras e Vast para transbordo de petróleo no T-Oil teve início em 2019. Em 2025, a empresa chinesa CMP adquiriu 70% de participação na Vast Infraestrutura, controlada pela Prumo, consolidando presença estrangeira no hub portuário do norte fluminense. O contrato desta semana é o primeiro de uso mínimo garantido firmado com a operadora já sob controle majoritariamente chinês.
A Vast Infraestrutura contabilizou 229 operações de transbordo no T-Oil em 2025. O Porto do Açu respondeu por 48% das exportações de óleo cru realizadas por terminais privados no Brasil no mesmo período — quase metade do escoamento nacional por essa modalidade. O vínculo mais sólido entre a estatal e o porto ocorre em momento de expansão da Petrobras: em junho, o PIRANOT revelou que a companhia fechou acordo por 50% do campo de Itaimbezinho no pré-sal, ampliando sua base de produção offshore.
O que muda para o T-Oil e para a exportação da estatal
Com o take-or-pay, a Vast passa a ter garantia de receita mínima independentemente das oscilações de movimentação da Petrobras no terminal. Para a operadora, isso representa maior estabilidade financeira e mais segurança para o planejamento do T-Oil — relevante após a entrada da CMP no controle acionário em 2025, quando o terminal ganhou novo acionista de referência.
Para a Petrobras, o acordo implica custo fixo previsível no escoamento de produção pelo Porto do Açu. O hub concentra quase metade das exportações de óleo cru por terminais privados brasileiros, tornando o T-Oil um elo central na cadeia logística da estatal. O modelo aumenta a previsibilidade operacional, mas expõe a companhia a pagamentos mínimos em cenários de menor movimentação.
O novo contrato reforça o vínculo da Petrobras com um parceiro agora sob controle majoritário chinês. A CMP detém 70% da Vast desde 2025. O acordo sinaliza que a mudança no controle acionário da operadora não interrompeu a relação comercial com a estatal — e formalizou vínculos que antes operavam sem compromisso mínimo contratual.
Termos financeiros ainda sem divulgação pública
Petrobras e Vast não informaram a duração do contrato, o volume mínimo de barris acordado na cláusula take-or-pay nem os valores financeiros envolvidos. As informações não constam nos comunicados divulgados pelas empresas após a assinatura.
A Petrobras, companhia aberta listada em bolsa, está sujeita a obrigações de divulgação de fatos relevantes perante a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A publicação de termos adicionais do contrato depende de eventual comunicado voluntário das partes ou de exigência regulatória da CVM.











