quarta-feira, junho 24
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Clovis Vaz
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Consultor político e empresário com mais de 35 anos de atuação em campanhas eleitorais e assessoria institucional. Foi secretário municipal...

“Rosarinho e a vocação de Piracicaba para estar à frente do seu tempo”

· 3 min de leitura

Nota da Redação: O portal PIRANOT preza pela liberdade de expressão e pela pluralidade de ideias. Ressaltamos, no entanto, que os textos de opinião publicados neste espaço são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam, obrigatoriamente, a visão do portal, de seus editores ou parceiros.

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Algumas cidades são marcadas pela tradição. Outras, pela capacidade de se reinventar. Piracicaba tem a rara característica de reunir as duas coisas.

Ao ler Rosarinho, da historiadora e escritora Marly Therezinha Germano Perecin, fica evidente que a cidade que conhecemos hoje não surgiu por acaso. A obra retrata personagens, desafios e transformações de um período decisivo da nossa história, mas também revela algo que atravessa gerações: a inquietação de um povo que nunca se acomodou ao presente.

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Quando observamos a Piracicaba do século XIX, encontramos uma cidade que já pensava grande. Enquanto boa parte do Brasil ainda estava presa a estruturas econômicas e sociais do passado, lideranças locais discutiam educação, agricultura, indústria, infraestrutura e os rumos políticos do país. Não é coincidência que nomes como Luiz de Queiroz e Prudente de Moraes apareçam com destaque nesse contexto histórico. Eles representam uma mentalidade que ajudou a moldar o DNA piracicabano.

Luiz de Queiroz, por exemplo, enxergava possibilidades onde muitos viam obstáculos. Seu sonho de transformar conhecimento em desenvolvimento acabaria deixando como legado uma das instituições mais respeitadas do mundo: a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, a ESALQ. Mais de um século depois, a escola continua formando profissionais, produzindo pesquisa e influenciando a agricultura brasileira e mundial.

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Essa vocação para o pioneirismo não ficou restrita ao campo educacional. Piracicaba construiu ao longo das décadas uma economia diversificada, uma indústria forte e um ambiente favorável ao empreendedorismo. A criação da ACIPI, ainda em 1933, demonstra que o associativismo e a visão estratégica sempre fizeram parte da cultura local. Empresários entenderam cedo que o crescimento coletivo era mais importante do que o sucesso isolado.

O mesmo espírito pode ser visto atualmente no PECEGE, referência nacional em educação executiva e inovação, nas startups ligadas ao setor do agronegócio, nos centros de pesquisa instalados na cidade e na capacidade de Piracicaba de atrair investimentos e talentos. Em diferentes épocas, os instrumentos mudaram, mas a essência permaneceu a mesma: acreditar no conhecimento como ferramenta de transformação.

Talvez seja justamente esse o maior mérito de Rosarinho. Mais do que reconstituir personagens e acontecimentos, o livro ajuda o leitor a compreender que a modernidade de Piracicaba não é um fenômeno recente. Ela foi sendo construída ao longo de gerações por homens e mulheres que ousaram imaginar um futuro diferente.

Ao caminhar pelas ruas da cidade, atravessar suas pontes ou contemplar o rio que deu origem à nossa história, muitas vezes enxergamos apenas o presente. Mas existe uma linha invisível que conecta o passado narrado por Marly Perecin à Piracicaba de hoje. Uma cidade que já foi protagonista de debates políticos importantes, que apostou na educação quando isso ainda era privilégio de poucos, que investiu em tecnologia antes que ela se tornasse uma palavra da moda e que continua ocupando posição de destaque no cenário paulista e brasileiro.

Por isso, ler Rosarinho é também um convite à reflexão. O livro nos lembra que a história de Piracicaba não foi construída pela espera, mas pela iniciativa. Não pela acomodação, mas pela coragem de avançar.

E talvez essa seja a principal herança deixada por aqueles que vieram antes de nós: a certeza de que o futuro sempre pertence às cidades que têm a coragem de sonhá-lo primeiro.

Clovis Vaz
Empresário de comunicação e consultor político

Clovis Vaz
Sobre o colunista

Clovis Vaz

Consultor político e empresário com mais de 35 anos de atuação em campanhas eleitorais e assessoria institucional. Foi secretário municipal de Governo e de Saúde em Piracicaba, além de chefe de gabinete na Assembleia Legislativa de São Paulo. Escreve às quartas-feiras no PIRANOT sobre bastidores da política e gestão pública.

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