Uma agência de viagens de luxo entregou ao Supremo Tribunal Federal, nesta quarta-feira (17), faturas que somam US$ 7,7 milhões e foram pagas por Daniel Vorcaro em deslocamentos de políticos. Os documentos passaram a integrar a Operação Compliance Zero, investigação da Polícia Federal que mira o ex-banqueiro ligado ao Banco Master.
O ponto de maior impacto político está no relatório da PF que associa pagamentos de Vorcaro à hospedagem do presidente da Câmara, Hugo Motta, e do senador Ciro Nogueira (PP-PI) no Four Seasons Hotel Ritz Lisbon, em Lisboa. A investigação identifica reservas e despesas no hotel, mas não atribui, até aqui, crime aos parlamentares citados.
As faturas entregues ao STF ampliam a pressão sobre o caso porque aproximam a investigação de dois nomes centrais do Congresso. Motta comanda a pauta da Câmara, enquanto Ciro é uma das principais lideranças do PP no Senado. A presença dos dois em registros de viagens custeadas por um investigado torna o caso sensível tanto no plano jurídico quanto no político.
Mensagens citam reservas para “Ciro e Hugo”
Segundo a Polícia Federal, mensagens de WhatsApp encontradas no celular de Vorcaro registram pedido de reservas de hotel para “Ciro e Hugo”. A PF trata a troca de mensagens como parte do conjunto de indícios sobre pagamentos de viagens e hospedagens vinculados ao ex-banqueiro.
O hotel mencionado pela investigação é um dos endereços de luxo mais conhecidos de Lisboa. A diária máxima informada para o Four Seasons Hotel Ritz Lisbon chega a R$ 100 mil, valor que dimensiona o padrão das despesas examinadas pelos investigadores.
Outro trecho das mensagens aponta pedido de privacidade para um jantar envolvendo Vorcaro, Motta e Ciro na capital portuguesa. A frase atribuída ao ex-banqueiro foi que “nem o papa entra”, em referência ao nível de reserva esperado para o encontro.
Faturas somam US$ 7,7 milhões, mas PF ainda analisa a ligação com o caso
As cobranças apresentadas ao Supremo chegam a US$ 7,7 milhões. Esse total se refere ao conjunto de faturas pagas por Vorcaro com viagens de políticos, não a uma conta individual atribuída a Motta ou Ciro. A distribuição por beneficiário, período e tipo de despesa ainda depende da análise dos documentos no processo.
A Operação Compliance Zero investiga suspeitas envolvendo Daniel Vorcaro e o entorno financeiro ligado ao Banco Master. Para a PF, o interesse agora é estabelecer se os pagamentos de viagens e hospedagens guardam relação com o esquema sob investigação ou se aparecem como despesas sem vínculo direto com os fatos apurados.
O cuidado jurídico é central: a citação de parlamentares em relatório policial não equivale a denúncia, condenação ou imputação formal de crime. Até este momento, o dado objetivo é que a PF identificou registros de hospedagem associados a Motta e Ciro e que as faturas foram levadas ao STF para análise no âmbito da operação.
Supremo decide o peso das faturas na investigação
Com a entrega dos documentos, caberá ao Supremo definir como as faturas serão incorporadas ao processo e se elas justificam novas diligências, pedidos de esclarecimento ou manifestações das defesas. A decisão sobre o alcance processual das cobranças é o próximo passo formal do caso.
Na prática, o avanço desloca a Operação Compliance Zero para uma zona de maior tensão institucional: a investigação deixa de tratar apenas de pagamentos ligados a um ex-banqueiro e passa a alcançar despesas atribuídas a figuras com poder direto sobre a agenda do Congresso.











