quarta-feira, junho 17
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Economia

Cade mira 34 empresas em suposto cartel de R$ 9,7 bi em ferrovias

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Investigação envolve contratos da Norte-Sul e da Fiol firmados entre 2000 e 2014
  • Processo mira obras de construção civil, pontes e viadutos avaliadas em R$ 9,7 bilhões
  • Superintendência-Geral afirma que empresas teriam combinado atuação em licitações públicas
  • Tribunal do Cade ainda analisará defesas antes de decidir sobre sanções
  • Lista oficial das empresas investigadas não foi divulgada nesta etapa

A Superintendência-Geral do Cade recomendou nesta quarta-feira (17) a condenação de 34 empresas e 17 pessoas físicas por suposto cartel em licitações ferroviárias que somam R$ 9,7 bilhões. O caso envolve contratos ligados à implantação da Ferrovia Norte-Sul e da Ferrovia de Integração Oeste-Leste, a Fiol, dois projetos centrais para o escoamento de cargas no país.

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A recomendação não equivale a uma condenação definitiva. Ela funciona como parecer técnico acusatório dentro do processo administrativo e segue agora para o Tribunal do Cade, que pode confirmar a acusação, aplicar sanções ou rejeitar a conclusão da Superintendência-Geral após analisar as defesas.

O período investigado vai de 2000 a 2014 e alcança licitações de construção civil, pontes e viadutos em obras ferroviárias. A suspeita é que concorrentes tenham combinado atuação em disputas públicas, conduta que, se confirmada, reduz a competição, distorce preços e compromete a lógica das contratações feitas pelo poder público.

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Processo atinge obras estratégicas para a logística nacional

A Norte-Sul e a Fiol estão entre os principais eixos ferroviários planejados para reduzir a dependência do transporte rodoviário, aproximar regiões produtoras de corredores de exportação e baratear o deslocamento de commodities e insumos industriais. Por isso, a investigação tem efeito que vai além das empresas citadas: ela toca a política de infraestrutura e a eficiência do gasto público em projetos de grande escala.

Em licitações competitivas, empresas disputam preço, prazo e capacidade de execução. Em um cartel, a combinação entre concorrentes pode simular disputa, preservar fatias de mercado e elevar o custo final de obras públicas. O valor de R$ 9,7 bilhões corresponde ao total das licitações sob suspeita, não a uma estimativa automática de prejuízo aos cofres públicos.

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A Superintendência-Geral aponta que a conduta teria ocorrido ao longo de mais de uma década, período em que o país ampliou investimentos em infraestrutura ferroviária para tentar destravar gargalos logísticos. A duração atribuída ao suposto esquema aumenta a relevância do julgamento, porque pode exigir do tribunal uma análise extensa de contratos, consórcios, editais e atuação individual de empresas e executivos.

Julgamento pode levar a multas e restrições administrativas

Se o Tribunal do Cade confirmar a existência de cartel, as empresas podem ser multadas com base na Lei de Defesa da Concorrência. Em casos desse tipo, as penalidades podem chegar a 20% do faturamento bruto no ramo de atividade relacionado à infração, além de outras medidas administrativas previstas para coibir novas condutas anticompetitivas.

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Para as pessoas físicas representadas, o julgamento também pode resultar em punições individuais, a depender do grau de participação atribuído a cada uma no processo. O tribunal costuma avaliar a conduta de executivos, dirigentes e intermediários separadamente da responsabilidade das empresas.

O caso se insere em uma frente recorrente do Cade contra cartéis em compras públicas, um dos focos mais sensíveis da política concorrencial por envolver dinheiro público e serviços essenciais. Investigações desse tipo costumam mirar acordos de divisão de mercado, propostas de cobertura, rodízio de vencedores e troca de informações entre concorrentes antes das licitações.

Tribunal do Cade dá a palavra final sobre o caso

A etapa decisiva será o julgamento pelo Tribunal do Cade. Até lá, as empresas e pessoas físicas representadas podem apresentar suas defesas no processo administrativo. A decisão final definirá se a recomendação da Superintendência-Geral vira condenação, qual será o alcance das punições e se haverá medidas adicionais sobre contratos e condutas futuras no setor ferroviário.

Na prática, o julgamento dirá se o órgão antitruste vê nas licitações da Norte-Sul e da Fiol um caso de coordenação ilegal entre concorrentes ou se as acusações não se sustentam na esfera administrativa. Enquanto isso, o mercado de infraestrutura acompanha o processo porque uma eventual condenação pode afetar empresas de engenharia, executivos e a forma como grandes obras ferroviárias são disputadas no país.