Donald Trump usou uma entrevista após a cúpula do G7, nesta quarta-feira (17), em Évian-les-Bains, na França, para criticar a situação política do Brasil e acabou confundindo os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro ao comentar a condenação de Eduardo Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal.
O presidente dos Estados Unidos afirmou que o Brasil ficou “politicamente perigoso” e descreveu o país como “bagunçado” e “um pouco perigoso”. Ao tratar da decisão do STF, disse que “prenderam Bolsonaro Jr.”, expressão que misturou a referência a Eduardo, condenado pela Corte, com o papel político de Flávio Bolsonaro, senador pelo PL.
A fala ocorreu um dia depois de o Supremo condenar Eduardo Bolsonaro a 4 anos e 2 meses de prisão, em regime semiaberto, pelo crime de coação no curso do processo. A acusação envolve tentativa de interferência no julgamento de Jair Bolsonaro no caso da trama golpista.
O erro ganhou peso porque Trump não fez apenas uma menção lateral ao episódio. Ele usou a condenação para sustentar uma crítica mais ampla ao ambiente político brasileiro, num fórum que reuniu as principais economias desenvolvidas e no qual Luiz Inácio Lula da Silva também esteve presente.
Declaração amplia ruído entre Brasília e Washington
A intervenção de Trump ocorre num momento de desgaste entre Brasil e Estados Unidos. A relação bilateral já vinha pressionada por disputas comerciais, tarifas americanas e pela decisão de Washington de enquadrar facções brasileiras, como PCC e Comando Vermelho, como organizações terroristas.
Ao levar a condenação de Eduardo Bolsonaro para a coletiva do G7, Trump deslocou uma decisão do Judiciário brasileiro para o centro da diplomacia presidencial. A crítica reacende a discussão sobre o limite entre comentário político externo e interferência em assuntos internos, especialmente em ano eleitoral e com a família Bolsonaro ainda influente na direita brasileira.
Eduardo Bolsonaro foi deputado federal e segue como uma das vozes mais próximas do trumpismo no Brasil. Flávio Bolsonaro, por sua vez, é senador e aparece no tabuleiro do PL para a eleição presidencial. A confusão entre os dois reforçou a dimensão política da fala, porque embaralhou uma condenação criminal com a disputa eleitoral em curso.
Governo brasileiro evita reação imediata
O Itamaraty e o Palácio do Planalto não divulgaram uma resposta oficial imediata à declaração. A presença simultânea de Lula e Trump no G7, porém, aumenta a chance de o episódio entrar na pauta diplomática, ainda que seja tratado inicialmente como ruído político.
O fato concreto é que Trump associou o Brasil a instabilidade política, citou a condenação de Eduardo Bolsonaro pelo STF e errou ao embaralhar os filhos de Jair Bolsonaro. A partir de agora, a consequência prática depende do tom adotado por Brasília: deixar a fala como episódio isolado ou transformá-la em questão formal na relação com Washington.











