O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, atribuiu às redes sociais a queda de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e reafirmou a defesa da tributação de compras internacionais, em entrevista divulgada nesta segunda-feira (1º). Haddad afirmou que não mudou de opinião sobre a chamada “taxa das blusinhas”, mesmo após o recuo político do Planalto diante do desgaste com consumidores.
A fala expõe dois flancos sensíveis para o governo a um ano e meio da eleição presidencial: a disputa de narrativa no ambiente digital e o custo eleitoral da cobrança sobre importados de baixo valor, que atinge varejo, consumidores e arrecadação dos estados.
Redes sociais no centro do diagnóstico
A leitura de Haddad converge com a estratégia já assumida pelo próprio Lula. Em 12 de agosto de 2025, em ato no Planalto, o presidente anunciou o envio de projeto de lei para regular redes sociais e big techs e afirmou que “é preciso criar o mínimo de comportamento, o mínimo de procedimento” no ambiente digital, segundo a Presidência da República.
O movimento desloca o debate das plataformas do terreno estritamente eleitoral para o regulatório e dialoga com episódios recentes de vulnerabilidade digital na região. Em maio, ataque hacker no Paraguai exibiu montagem do ex-presidente Jair Bolsonaro em portais oficiais e levou o presidente Santiago Peña a ordenar a retirada do conteúdo.
A tese do ministro, porém, contrasta com a do próprio chefe. Em entrevista ao SBT em março de 2024, Lula minimizou oscilações de aprovação e afirmou que “não tem nenhuma razão para o povo brasileiro me dar 100% de popularidade” — leitura menos centrada nas redes do que a defendida agora por Haddad.
“Taxa das blusinhas” vira ponto de divergência
Sobre a tributação de compras internacionais, Haddad reiterou: “Eu não mudei de opinião”. A declaração ocorre depois de o Planalto ter recuado politicamente diante da reação de consumidores à cobrança sobre importados de baixo valor adquiridos em plataformas estrangeiras.
A divergência é de ritmo e de leitura política, não de ruptura: Haddad defende a manutenção da regra como instrumento de isonomia com o varejo nacional e de reforço de arrecadação, enquanto a ala política do governo mede o custo eleitoral da medida junto ao consumidor de baixa renda.
Haddad no tabuleiro paulista
As falas ocorrem em meio à pré-campanha para os governos estaduais e a discussões antecipadas sobre a sucessão presidencial no PT. Haddad é citado como nome em potencial para a disputa pelo governo de São Paulo em 2026, embora o partido ainda não tenha oficializado candidatura nem definido rito de prévias.
Três frentes devem balizar a próxima etapa: a tramitação no Congresso do projeto de regulação das redes sociais enviado pelo Planalto, a definição do governo sobre a continuidade da tributação de importados e o avanço da pré-campanha paulista, em que o ministro segue como peça central do PT.











