sábado, 18 de julho de 2026
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Designação como FTO permite bloqueio de ativos e até ações militares; Brasil reage com plano de R$ 11,1 bi

EUA põem PCC e CV em lista de terroristas; sanções valem dia 5

Designação como FTO permite bloqueio de ativos e até ações militares; Brasil reage com plano de R$ 11,1 bi

· 3 min de leitura · Atualizado em 04.06.2026 · NEXUS A.I. do PIRANOT e Júnior Cardoso

Pontos-chave

  • Na quinta-feira (28), o Ministério da Justiça anunciou um plano de R$ 11,1 bilhões para “sufocar” as facções, com foco em descapitalização, inteligência financeira e integração das polícias estaduais.
  • O movimento repete a trajetória adotada pela administração de Donald Trump no continente.
  • Em fevereiro de 2025, cartéis mexicanos foram classificados como FTOs.
  • Foi esse mesmo dispositivo que sustentou a incursão de setembro contra a facção venezuelana.
  • Juntos, comandam milhares de membros e orquestraram ataques brutais contra policiais, autoridades públicas e civis brasileiros”, diz o texto.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos classificou, em 28 de maio, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Globais Especialmente Designadas (SDGTs). A partir desta sexta-feira (5), as duas facções brasileiras passam a figurar oficialmente na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) do governo americano, ao lado dos cartéis mexicanos de Sinaloa e Jalisco Nova Geração e da facção venezuelana Tren de Aragua.

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O movimento repete a trajetória adotada pela administração de Donald Trump no continente. Em fevereiro de 2025, cartéis mexicanos foram classificados como FTOs. Em setembro do mesmo ano, um ataque aéreo dos EUA em águas do Caribe matou 11 integrantes do Tren de Aragua, primeira operação militar americana contra um grupo designado como terrorista na região e sinal de que Washington está disposta a empregar força fora de seu território contra organizações nessa lista.

A designação como FTO aciona um arcabouço legal amplo: congelamento de ativos, proibição de transações financeiras com pessoas e empresas ligadas às facções e, em última instância, autorização para ações militares em território estrangeiro sob justificativa de combate ao terrorismo. Foi esse mesmo dispositivo que sustentou a incursão de setembro contra a facção venezuelana.

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No comunicado oficial, o Departamento de Estado descreveu PCC e CV como duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. “O CV e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Juntos, comandam milhares de membros e orquestraram ataques brutais contra policiais, autoridades públicas e civis brasileiros”, diz o texto. A nota acrescenta que a influência dos grupos extrapola fronteiras: “Sua influência e redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, por toda a nossa região e para dentro do nosso país”.

No Brasil, a reação foi imediata. Na quinta-feira (28), o Ministério da Justiça anunciou um plano de R$ 11,1 bilhões para “sufocar” as facções, com foco em descapitalização, inteligência financeira e integração das polícias estaduais. O Itamaraty, até a publicação desta reportagem, não havia se manifestado publicamente sobre eventual presença de tropas americanas em território nacional nem sobre a extensão dos mecanismos de cooperação jurídica que a nova classificação pode acionar.

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Na prática, a designação pode acelerar pedidos de extradição, viabilizar interceptação de comunicações por agências americanas e impor sanções a empresas e cidadãos suspeitos de manter vínculos financeiros com as facções, ainda que sem condenação judicial no Brasil. O precedente aberto com cartéis mexicanos e, sobretudo, com o Tren de Aragua, indica que a Casa Branca está disposta a recorrer a meios militares quando avaliar que há ameaça direta a cidadãos americanos.

A ofensiva ocorre em um momento em que o governo Trump consolida uma política de “tolerância zero” contra o crime organizado transnacional, ampliando as listas de SDGTs e FTOs para incluir grupos que, até recentemente, eram tratados como alvos de ações policiais, e não militares. A entrada em vigor da designação contra PCC e CV, nesta sexta, marca o início do prazo para que sanções financeiras passem a ser aplicadas a pessoas e empresas com vínculos comprovados às facções.

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