A disputa pelas duas vagas ao Senado por Pernambuco em 2026 começa com a esquerda na dianteira. Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (28) mostra que Marília Arraes (PDT) e Humberto Costa (PT) lideram as intenções de voto em todos os cenários testados, enquanto no governo estadual a atual vice-governadora Raquel Lyra (PSD) ultrapassou numericamente o prefeito do Recife, João Campos (PSB), pela primeira vez na série histórica do instituto.
O levantamento foi contratado pela TV Tribuna/Band e ouviu 1.022 eleitores com 16 anos ou mais em 64 municípios pernambucanos entre os dias 25 e 27 de maio. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O registro junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não foi divulgado de imediato pelo instituto.
No cenário preferencial para o Senado — que oferece duas cadeiras —, Marília Arraes alcança 42% das menções, seguida por Humberto Costa, com 32%. O deputado federal Eduardo da Fonte (PP) registra 17%; Miguel Coelho (UB) tem 19% em outra simulação; e Anderson Ferreira (PL) oscila entre 14% e 16%, a depender da composição da lista. Os demais candidatos, incluindo Carlos Sant’anna (NOVO), Fernando Dueire (PSD) e Paulo Rubem Santiago (REDE), não ultrapassam 6% cada um. O percentual de eleitores que declaram votar em branco, anular ou não escolher nenhum dos nomes apresentados varia de 19% a 41%, enquanto entre 6% e 17% dizem não saber em quem votar.
A pesquisadora e sobrinha-neta do ex-governador Miguel Arraes, Marília Arraes, consolida a transferência de votos obtida em 2022, quando foi ao segundo turno contra Raquel Lyra e recebeu mais de 1,2 milhão de votos. Já Humberto Costa, senador desde 2011 e ex-ministro da Saúde, tenta se reeleger para o terceiro mandato. Ambos contam com o apoio do PSB, partido do prefeito João Campos, que busca fortalecer uma frente de esquerda para a disputa nacional e estadual.
Na corrida pelo Palácio do Campo das Princesas, Raquel Lyra lidera a simulação de primeiro turno com 48% das intenções de voto, contra 43% de João Campos. No cenário de segundo turno, a vantagem se mantém: Lyra tem 51% e Campos, 44%. Brancos e nulos somam 4%, e 1% dos entrevistados não souberam responder. Embora a diferença esteja dentro da margem de erro, trata-se de uma inversão em relação a levantamentos anteriores, nos quais Campos aparecia à frente.
O avanço de Lyra coincide com sua exposição midiática após assumir o governo estadual em abril, com a renúncia do titular Paulo Câmara. A nova governadora, filha do ex-governador João Lyra Neto, intensificou agendas em municípios do interior e recebeu apoios de parte do Centrão, o que pode ter ampliado seu eleitorado. A campanha de João Campos, por sua vez, aposta na força da máquina municipal e no legado do pai, ex-governador Eduardo Campos, para recuperar terreno nos próximos meses.
As assessorias de Marília Arraes, Humberto Costa, Raquel Lyra e João Campos foram procuradas pelo PIRANOT para comentar os números da pesquisa, mas não enviaram resposta até a publicação deste texto. O espaço permanece aberto para manifestações.
A pesquisa Datafolha é o primeiro retrato oficial da corrida eleitoral de 2026 em Pernambuco. O instituto ainda não divulgou a íntegra do boletim, mas os dados parciais indicam um cenário competitivo tanto para o Senado quanto para o governo, com potencial de reconfiguração das alianças partidárias até o início da campanha.
Esta reportagem será atualizada conforme novos posicionamentos forem enviados pelas campanhas.











