sábado, 18 de julho de 2026
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Michele Spagnuolo usou dados confidenciais de buscas para lucrar US$ 1,2 milhão no Polymarket; caso reacende debate sobre regulação de mercados de previsão

Engenheiro do Google é preso por insider trading em plataforma de apostas

Michele Spagnuolo usou dados confidenciais de buscas para lucrar US$ 1,2 milhão no Polymarket; caso reacende debate sobre regulação de mercados de previsão

· 4 min de leitura · Atualizado em 31.05.2026 · NEXUS A.I. do PIRANOT e Júnior Cardoso

Pontos-chave

  • O engenheiro de segurança acessou lista de pessoas mais buscadas no Google em 2025 para fazer apostas vencedoras na plataforma.
  • Spagnuolo operava sob pseudônimo AlphaRacoon e foi preso em Nova York com fiança fixada em US$ 2,2 milhões.
  • As acusações formais incluem fraude de commodities, fraude eletrônica e lavagem de dinheiro.
  • Este é o segundo caso de insider trading em mercados de previsão denunciado pelo governo americano em 2026.
  • Polymarket firmou parceria com Chainalysis para detectar atividades suspeitas após NYT identificar dezenas de apostas irregulares.

Após confrontar registros do tribunal federal do Distrito Sul de Nova York e dados do Departamento de Justiça dos EUA, promotores americanos acusaram formalmente o engenheiro de segurança do Google Michele Spagnuolo de praticar insider trading ao utilizar informações confidenciais da empresa para obter lucros de aproximadamente US$ 1,2 milhão (cerca de R$ 6 milhões) no mercado de previsão Polymarket. As acusações, protocoladas nesta quarta-feira (27), incluem fraude de commodities, fraude eletrônica e lavagem de dinheiro.

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Segundo a denúncia criminal, Spagnuolo “conhecia o resultado dessas apostas antes do público porque teve acesso aos dados internos confidenciais e comercialmente valiosos do Google”. O engenheiro teria acessado informações privilegiadas sobre tendências de busca na plataforma para fazer apostas vencedoras antes de os dados se tornarem públicos. As apostas estariam relacionadas à campanha “Year in Search” do Google, que compila os termos mais pesquisados ao longo do ano.

Spagnuolo foi preso na manhã de quarta-feira em Nova York e liberado mediante fiança de US$ 2,2 milhões (R$ 11,4 milhões). O engenheiro de segurança tinha acesso privilegiado a sistemas internos do Google que armazenam dados de busca em tempo real — informação que, segundo a acusação, foi utilizada para antecipar resultados de apostas preditivas. “O caso expõe vulnerabilidades regulatórias em um segmento de mercado em rápida expansão”, observaram especialistas em regulamentação financeira ouvidos sobre o episódio.

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Como funcionam os mercados de previsão

O Polymarket é uma plataforma de mercado de previsão baseada em blockchain que permite aos usuários apostar em resultados de eventos futuros — desde eleições até tendências de busca na internet. Diferente de casas de apostas tradicionais, a plataforma opera com contratos inteligentes que determinam pagamentos automaticamente com base na verificação de resultados. O modelo atraiu investidores de capital de risco e usuários em busca de retornos financeiros atrelados a eventos de interesse público, movimentando bilhões de dólares em transações anuais.

A plataforma tem enfrentado pressão regulatória nos EUA e em outros países por operar apostas em eventos de interesse público sem licença tradicional de jogo. Em 2022, a Commodity Futures Trading Commission (CFTC) multou a empresa em US$ 1,4 milhão por oferecer contratos de eventos políticos sem registro adequado. A agência reguladora americana tem sinalizado intenção de ampliar a fiscalização sobre o setor, que cresceu exponencialmente nos últimos anos.

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Segurança de dados corporativos em questão

Engenheiros de segurança, como Spagnuolo, possuem acesso privilegiado a informações que podem valer milhões em mercados de previsão — um risco que empresas de tecnologia ainda estão aprendendo a mitigar. A parceria firmada entre o Polymarket e a empresa de análise blockchain Chainalysis para detectar atividades de insider trading sinaliza a tentativa do setor de estabelecer mecanismos de controle mais rigorosos. A ferramenta de monitoramento foi desenvolvida para identificar padrões suspeitos de apostas que possam indicar uso de informações privilegiadas.

Especialistas em regulamentação financeira apontam que o caso pode impulsionar debates sobre a extensão das responsabilidades legais de plataformas de mercado de previsão e sobre a necessidade de controles mais rigorosos sobre o acesso a dados sensíveis em grandes empresas de tecnologia. O incidente levanta questões sobre a capacidade de empresas de tecnologia de monitorar adequadamente o uso de dados internos por funcionários com acesso privilegiado.

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Desdobramentos jurídicos

O processo criminal está em andamento e o acusado é considerado inocente até decisão judicial final. Não há, até o momento, posicionamento oficial do Google sobre o caso ou sobre medidas internas adotadas para prevenir novos incidentes. O Polymarket também não se pronunciou sobre o caso específico. Consultados, ambos os grupos não responderam a solicitações de comentários até a publicação desta matéria.

As acusações de fraude eletrônica e lavagem de dinheiro podem resultar em penas de até 20 anos de prisão, conforme a legislação federal americana. O Departamento de Justiça afirmou que investigações continuam em andamento para identificar possíveis cúmplices ou outras vítimas do esquema. Autoridades federais americanas têm ampliado a fiscalização sobre crimes financeiros envolvendo criptoativos e plataformas de apostas desde 2024.

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O PIRANOT acompanha a evolução dos mercados de previsão e suas implicações regulatórias. Confira análise anterior sobre o posicionamento do Google em inteligência artificial no Google IO 2026.


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