Uma diária de carro na Shopee no Brasil paga em média entre R$ 223 e R$ 310 por rota, dependendo da distância. Um motoboy tira entre R$ 60 e R$ 100 por saída. Os valores estão congelados há cerca de quatro anos, segundo os trabalhadores. E, desde 18 de maio, os bônus por volume de pacotes foram reduzidos em até R$ 5 por faixa — no momento em que a categoria esperava um aumento em Piracicaba, após a greve do mês anterior.
O PIRANOT teve acesso à tabela de pagamentos praticada no hub de Piracicaba e à nova circular de bônus que entrou em vigor há seis dias. Os números mostram que a margem de quem depende da plataforma é apertada — e ficou mais apertada depois da greve.
Em resumo:
- Tabela de rotas está sem reajuste há ~4 anos; diárias de carro vão de R$ 223 a R$ 310.
- Bônus por volume de pacotes foi reduzido a partir de 18 de maio, não aumentado.
- Na faixa de 121 pacotes, o bônus caiu de R$ 30 para R$ 25; na de 131, de R$ 50 para R$ 45.
- Motoristas reagem: “Não somos trouxas. Queremos ajuste no valor das saídas.”
Quanto a Shopee paga por rota no Brasil em média
A tabela para carros de passeio e utilitários é fechada por faixa de distância. Quanto mais longe a rota, maior o valor bruto — mas também maior o gasto com combustível e desgaste:
| Distância da rota | Carro de passeio | Utilitário / Fiorino |
|---|---|---|
| Até 25 km | R$ 223,00 | R$ 262,00 |
| Até 51 km | R$ 237,00 | R$ 275,00 |
| 51 a 100 km | R$ 245 a R$ 260 | R$ 285 a R$ 300 |
| 101 a 200 km | R$ 270 a R$ 310 | R$ 315 a R$ 350 |
| Acima de 400 km | R$ 455,00 | R$ 473,00 |
Valores brutos médio por rota/diária.
Para motoboys, o cálculo é diferente. Rotas com até 25 pacotes pagam um valor mínimo de aproximadamente R$ 50 mais cerca de R$ 0,50 por quilômetro rodado — uma rota curta de 20 km com poucos volumes rende entre R$ 60 e R$ 70. Quando o volume passa de 25 pacotes, o modelo muda para remuneração por pacote, entre R$ 2 e R$ 4 por entrega. Uma rota de moto com 40 pacotes pode render entre R$ 80 e R$ 100.
A conta real de quem roda todo dia
Com base na tabela e nos relatos da categoria, um motorista de carro de passeio que consegue rotas diárias (20 a 24 dias no mês) tem um faturamento bruto mensal entre R$ 4.400 e R$ 6.600. Um motoboy que mantém constância fatura entre R$ 2.400 e R$ 3.600 líquidos, já descontando o combustível.
Mas o bruto engana. Desses valores, o motorista tira:
- Combustível: R$ 60 a R$ 100 por dia de rota (R$ 1.200 a R$ 2.400/mês)
- Manutenção: pneus, óleo, freios, suspensão — R$ 400 a R$ 800/mês
- Depreciação do veículo: um carro rodando 3.000 km/mês perde valor de revenda
- Seguro e documentação: IPVA, licenciamento, seguro — rateados no mês
- Alimentação na rua: sem vale-refeição, sem pausa remunerada
- INSS como MEI: aproximadamente R$ 75/mês
No fim do mês, o valor que sobra para moradia, filhos e contas da casa é bem menor do que o bruto sugere — e depende de o motorista conseguir rota todo dia. O que, como o PIRANOT mostrou na reportagem de domingo, não está mais garantido.
A “Tabela da Discórdia”: o bônus que encolheu
O PIRANOT teve acesso à circular interna que passou a vigorar no hub de Piracicaba a partir de 18 de maio de 2026 — a mesma data em que, segundo os trabalhadores, a empresa se comprometeu a responder sobre o reajuste.
Na superfície, os novos adicionais sobem conforme a faixa de pacotes:
| Faixa de pacotes | Novo bônus (a partir de 18/05) |
|---|---|
| 115 a 124 pacotes | + R$ 25,00 |
| 125 a 134 pacotes | + R$ 35,00 |
| 135 a 150 pacotes | + R$ 65,00 |
| Acima de 150 pacotes | + R$ 85,00 |
Mas as lideranças do movimento fizeram a comparação com a tabela anterior e mostraram que houve redução nas faixas mais atingíveis:
| Faixa | Bônus antigo | Bônus novo | Diferença |
|---|---|---|---|
| 121 pacotes | R$ 30,00 | R$ 25,00 | – R$ 5,00 |
| 131 pacotes | R$ 50,00 | R$ 45,00 | – R$ 5,00 |
A reação dos motoristas foi imediata. Em mensagem enviada diretamente aos gestores da operação local, um deles desabafou:
“Negativo, não queremos melhores incentivos, queremos ajuste no valor das saídas. Não somos trouxas.”
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A frase resume o impasse. A Shopee reorganizou os bônus chamando de “incentivo”. Os motoristas enxergaram uma redução disfarçada — e cobram o que consideram a pauta de fundo: o reajuste da diária base, congelada há anos.
O que a Shopee diz
O PIRANOT encaminhou pedido de nota à assessoria de imprensa da Shopee com as tabelas, os valores e as perguntas sobre o reajuste das diárias e a revisão dos bônus. Até o fechamento desta reportagem, a empresa não havia respondido. O espaço segue aberto.
















