Seis em cada dez profissionais brasileiros que atuam em médias e grandes empresas operam ferramentas de Inteligência Artificial em nível iniciante. É o que aponta levantamento divulgado em 15 de maio de 2026, que ouviu 382 profissionais. O dado acende um alerta sobre a baixa maturidade digital do país e os riscos para a produtividade das organizações.
O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), lançado pelo governo federal em 2024, já reconhecia a capacitação como gargalo central. O plano prevê investimentos em centros de excelência e parcerias com universidades, mas os números mostram que os resultados ainda não chegaram ao chão das empresas.
A Pesquisa TIC Empresas 2024, do Cetic.br, reforça o diagnóstico: apenas 23% das empresas brasileiras utilizam IA de forma estruturada. O texto do PBIA é direto ao apontar que “a falta de profissionais capacitados é um dos principais entraves para a adoção da IA”.
Baixa maturidade atinge inclusive grandes empregadores
O levantamento indica que o problema não se restringe a pequenos negócios com orçamento enxuto. Mesmo entre médias e grandes empresas, a automação baseada em IA ainda engatinha. A mesma pesquisa do Cetic.br revela que somente 18% das organizações oferecem algum tipo de capacitação em IA para seus funcionários.
A amostra de 382 profissionais, embora modesta, ganha relevância ao ser contrastada com os dados nacionais do Cetic.br. O cenário sugere um padrão: as empresas reconhecem o valor da tecnologia, mas não conseguem transformar o discurso em adoção prática.
Barreiras vão de custo a resistência cultural
Entre os obstáculos mapeados estão a ausência de estratégia clara, o custo de implementação e a resistência cultural dentro das organizações. O levantamento aponta que 94% das companhias consideram o impacto da IA na produtividade positivo, mas a implementação efetiva esbarra nesses entraves.
O estudo não detalha as razões específicas que mantêm 61% dos profissionais no nível iniciante. Dados do Cetic.br, porém, indicam que a falta de treinamento estruturado e a complexidade das ferramentas estão entre os fatores que travam o salto de maturidade.
Competitividade em risco no mercado global
A lentidão na adoção de IA pode custar caro às empresas brasileiras em um mercado global cada vez mais digitalizado. O ganho de eficiência proporcionado pela tecnologia torna-se diferencial competitivo, e o atraso tende a ampliar a distância para concorrentes internacionais.
O PBIA é categórico ao afirmar que “o Brasil precisa acelerar a adoção de IA para garantir sua produtividade e competitividade”. O plano prevê a criação de centros de excelência e a ampliação de parcerias com universidades, mas os números atuais mostram que há um longo caminho entre a intenção e a prática.
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