A Coinbase demitiu 700 funcionários em 5 de maio de 2026, o equivalente a 14% de sua força de trabalho global. O anúncio veio acompanhado de um discurso de austeridade: a empresa precisa cortar custos e redirecionar investimentos para inteligência artificial. Mas, enquanto centenas de trabalhadores perdiam seus empregos, o CEO Brian Armstrong embolsava US$ 545 milhões com a venda de ações da companhia.
A exchange de criptomoedas acumula prejuízos bilionários. No primeiro trimestre de 2026, foram US$ 394 milhões no vermelho, e no quarto trimestre de 2025, US$ 667 milhões, conforme balanços divulgados pela própria Coinbase. A reestruturação, segundo a empresa, é essencial para retomar a rentabilidade.
Em nota, Armstrong afirmou que a medida visa tornar a operação mais enxuta e focada em inovação. “A IA nos permitirá fazer mais com menos e focar em inovação de verdade”, declarou o executivo, conforme a Reuters. A Coinbase, no entanto, não detalhou como a tecnologia será aplicada para gerar receita.
Discurso de IA contrasta com ganhos pessoais do CEO
A justificativa de foco em inteligência artificial contrasta com os ganhos pessoais de Armstrong. Entre abril de 2025 e janeiro de 2026, ele vendeu 1,5 milhão de ações da Coinbase, arrecadando US$ 545 milhões, segundo dados do Portal do Bitcoin. As transações ocorreram antes do anúncio das demissões e em meio a uma trajetória de queda dos papéis.
A fortuna pessoal do CEO é estimada em US$ 2,4 bilhões, de acordo com o Bloomberg Billionaires Index. O movimento levanta questionamentos sobre conflito de interesses e possível uso de informação privilegiada, já que Armstrong se desfez de grande volume de ações antes de comunicar ao mercado as medidas de reestruturação.
A Coinbase não comentou publicamente sobre as vendas de ações do CEO. A empresa limitou-se a afirmar que os cortes fazem parte de um plano para reduzir custos e investir em tecnologia, mas o episódio expõe a distribuição desigual dos sacrifícios em momentos de crise.
Mercado reage com alta das ações, apesar das demissões
As ações da Coinbase subiram 4% no pré-mercado após o anúncio das demissões, segundo dados da Reuters. A reação positiva dos investidores reflete a expectativa de que o corte de custos ajude a exchange a recuperar a rentabilidade, pressionada por prejuízos trimestrais e pela concorrência no setor de criptomoedas.
Analistas ouvidos pela Reuters apontam que o foco em inteligência artificial pode ser uma resposta à necessidade de ganhar eficiência operacional. A Coinbase, porém, não apresentou um plano concreto de como a IA será integrada aos seus produtos ou gerará novas receitas.
Enquanto o mercado celebra a redução de despesas, a contradição entre o discurso de inovação e o enriquecimento do CEO permanece sem resposta. A empresa não divulgou se os executivos também sofrerão cortes salariais ou se os investimentos em IA incluem a contratação de novos profissionais.
❓ Perguntas frequentes
Por que a Coinbase demitiu 700 funcionários?
A Coinbase justificou o corte de 14% da equipe como parte de um plano para reduzir custos e redirecionar investimentos para inteligência artificial, após acumular prejuízos bilionários nos últimos trimestres.
Quanto o CEO da Coinbase lucrou com a venda de ações?
Brian Armstrong vendeu 1,5 milhão de ações da Coinbase entre abril de 2025 e janeiro de 2026, embolsando US$ 545 milhões, antes de anunciar as demissões em massa.
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