quarta-feira, junho 3
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Brasil

Azul corta prejuízo em 97,6% no 1º trimestre, mas guerra no Irã já comprime fluxo de caixa

Resultado líquido ajustado melhora de R$ 1,82 bi para R$ 44,4 mi, mas conflito eleva QAV em 55% e reduz vendas antecipadas

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Prejuízo ajustado caiu 97,6%, de R$ 1,82 bilhão no 1T25 para R$ 44,4 milhões no 1T26
  • Petrobras reajustou QAV em 55% em abril devido à guerra no Irã, elevando custos da Azul
  • ATL (vendas antecipadas) caiu no trimestre, reduzindo fluxo de caixa da companhia

A Azul Linhas Aéreas registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 44,4 milhões no primeiro trimestre de 2026, uma melhora de 97,6% em relação ao prejuízo de R$ 1,82 bilhão no mesmo período do ano anterior. Apesar do avanço contábil, a empresa alertou que a guerra no Irã já afeta seu fluxo de caixa, com redução nas vendas de passagens antecipadas e forte pressão nos custos com combustível.

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Os números foram divulgados pela própria Azul em suas demonstrações financeiras trimestrais. A receita operacional líquida cresceu 1,4%, atingindo R$ 5,5 bilhões, enquanto o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) avançou 22,6%, para R$ 1,7 bilhão. A margem EBITDA subiu de 25,7% para 31,1% no período, refletindo ganhos de eficiência e disciplina de custos.

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No entanto, o CEO John Rodgerson destacou que o cenário geopolítico já compromete as projeções de curto prazo. Em teleconferência com analistas, o executivo afirmou: “Não poderíamos estar mais preparados”, conforme registrado pelo portal Seu Dinheiro, mas reconheceu que a guerra no Irã trouxe volatilidade inesperada. A companhia reportou que o ATL (Air Traffic Liability), indicador de passagens vendidas mas ainda não voadas, caiu no trimestre, reduzindo a entrada de caixa antecipada.

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Pressão do combustível e impacto operacional

O principal vetor de pressão é o combustível. A Petrobras anunciou em abril um reajuste de 55% no querosene de aviação (QAV), refletindo a disparada do petróleo no mercado internacional após o agravamento do conflito no Oriente Médio. A Azul, que tem o QAV como seu maior custo operacional, viu suas despesas com combustível subirem 12% no trimestre, mesmo antes do pico de preços. A companhia estima que cada aumento de 10% no QAV gere um impacto anual de aproximadamente R$ 400 milhões em seus custos.

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A guerra também afetou a malha aérea. Rotas que sobrevoam o espaço aéreo iraniano foram canceladas ou tiveram de ser desviadas, aumentando o tempo de voo e o consumo de combustível. A Azul não opera diretamente na região, mas o efeito cascata sobre os preços globais do petróleo e a redução na demanda por viagens internacionais atingiu suas operações. Dados da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR) mostram que o setor como um todo registrou queda de 3,2% na demanda doméstica em março, a primeira retração em 14 meses.

Analistas do setor avaliam que a melhora expressiva no resultado da Azul é um sinal de resiliência, mas o fluxo de caixa mais apertado pode adiar planos de expansão. A empresa vinha se recuperando gradualmente dos efeitos da pandemia e da reestruturação financeira de 2024, mas agora enfrenta um choque externo que foge ao seu controle. A dívida líquida da companhia, que estava em trajetória de redução, voltou a subir 2,1% no trimestre, para R$ 18,3 bilhões, pressionada pela necessidade de capital de giro.

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Efeitos no consumidor e no mercado

O impacto no consumidor já é visível. O preço médio das passagens aéreas domésticas subiu 18% nos últimos dois meses, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A tendência é de novas altas, com as companhias repassando o custo do QAV e ajustando a oferta de voos. A Azul anunciou que reduzirá em 5% sua capacidade doméstica no segundo trimestre, concentrando-se em rotas mais rentáveis.

A situação se soma a um cenário já desafiador para a aviação brasileira. A Latam, principal concorrente, reportou impacto de US$ 40 milhões em seus resultados devido à guerra, conforme noticiado pela Folha de S.Paulo. Ambas as empresas têm buscado hedge de combustível e renegociação de contratos, mas a escalada do conflito limita as opções de proteção financeira.

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A Azul enfatizou que mantém sua estratégia de longo prazo, com foco em conectividade regional e frota eficiente. A empresa recebeu quatro novas aeronaves Embraer E2 no trimestre, que consomem 25% menos combustível por assento. No entanto, o presidente do Conselho de Administração, David Neeleman, admitiu em nota que “o ambiente externo exige cautela redobrada na gestão do caixa”. A companhia informou que possui linhas de crédito contingentes de R$ 1,2 bilhão, mas não descarta novas medidas de reforço de liquidez se o conflito se prolongar.

O mercado reagiu com volatilidade às notícias. As ações da Azul (AZUL4) fecharam em queda de 3,7% no dia da divulgação, refletindo o temor de que a melhora operacional seja ofuscada pelo risco geopolítico. Para os próximos meses, a atenção se volta para a evolução do preço do petróleo e para a capacidade da empresa de sustentar a recuperação de margens em um ambiente de custos crescentes.


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