terça-feira, 14 de julho de 2026
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Economia

CPI dos EUA cai 0,4% em junho, mas presidente do Fed alerta que inflação não está vencida

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • A inflação anual dos EUA caiu para 3,5% em junho, abaixo da expectativa de 3,8%
  • O núcleo do CPI ficou estável em junho, frustrando expectativas de alta
  • Kevin Warsh afirmou que um mês de deflação não basta para declarar vitória sobre a inflação
  • Os rendimentos dos Treasuries caíram e as bolsas de Nova York subiram com o dado
  • No Brasil, os contratos futuros de DI tiveram forte queda, reagindo ao alívio inflacionário

O índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos recuou 0,4% em junho, a maior deflação mensal desde abril de 2020, informou o Bureau of Labor Statistics (BLS) nesta terça-feira (14). Apesar do alívio, o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, afirmou em sabatina no Congresso que os dados ainda não significam “missão cumprida” no combate à inflação.

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A taxa anual do CPI caiu de 3,8% em maio para 3,5% em junho, contrariando a expectativa de analistas de 3,8%. O núcleo do indicador, que exclui alimentos e energia, ficou estável no mês, também abaixo das projeções. A combinação derrubou as taxas dos Treasuries e impulsionou as bolsas em Nova York, mas Warsh reforçou que o Fed precisa ver “evidências consistentes” de convergência à meta de 2% antes de alterar os juros.

“Um único mês de deflação não é suficiente para declarar vitória. A inflação acumulada em 2026 ainda exige cautela”, disse Warsh, conforme transcrição da audiência. A fala ecoa o tom adotado pelo banco central americano desde junho, quando manteve a taxa básica entre 3,5% e 3,75% pela quarta reunião consecutiva, como mostrou o PIRANOT.

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Alívio imediato, mas sem virada na política monetária

O recuo de 0,4% no CPI foi puxado pela queda nos preços de energia, em meio à volatilidade do petróleo — o Brent caiu a US$ 72,35 no início de julho, como noticiou o PIRANOT. No entanto, Warsh afirmou que a medida de inflação preferida do Fed, o índice de preços de gastos com consumo (PCE), ainda roda acima do desejado, e o mercado de trabalho segue apertado.

A reação dos mercados foi imediata: os juros futuros no Brasil despencaram, com o DI para janeiro de 2028 recuando mais de 20 pontos-base, refletindo a menor pressão sobre o Fed. O dólar à vista caiu abaixo de R$ 5,40, e o Ibovespa ensaiou alta, embora tenha devolvido parte dos ganhos com a fala cautelosa de Warsh. O movimento se soma à trajetória de alívio nos preços domésticos: o IGP-M registrou deflação de 0,50% em junho, a primeira do ano, conforme o PIRANOT.

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Impacto nos juros e no câmbio brasileiro

A curva de juros futuros brasileira precificou menor probabilidade de alta adicional da Selic após a divulgação do CPI. O contrato de DI com vencimento em janeiro de 2029 chegou a cair 18 pontos-base, para 12,85%, enquanto o de curto prazo recuou 12 pontos. “O dado americano tira pressão de curtíssimo prazo, mas a fala de Warsh lembra que o ciclo de afrouxamento monetário nos EUA ainda está distante”, avaliou a mesa de renda fixa de um grande banco, em relatório a clientes.

Para o Brasil, a dinâmica é dupla: um Fed mais paciente reduz o risco de fuga de capitais e dá espaço para o Copom manter o ritmo de cortes da Selic, atualmente em 14,25% ao ano. Contudo, a inflação doméstica ainda preocupa: o IPCA-15 de junho desacelerou a 0,41%, mas a taxa acumulada em 12 meses segue em 4,80%, acima do teto da meta, como mostrou o PIRANOT. O mercado estabilizou a projeção para o IPCA de 2026 em 5,33%, após 15 altas consecutivas, segundo o boletim Focus.

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O Bitcoin, termômetro de apetite a risco, subiu a US$ 63,7 mil logo após o CPI, refletindo a expectativa de juros menores nos EUA, como noticiou o PIRANOT. A criptomoeda já havia se recuperado para US$ 62 mil no início de julho, com o mercado à espera de sinalizações do Fed.

Próximos passos e incertezas

O Federal Reserve volta a se reunir nos dias 28 e 29 de julho, e a expectativa majoritária é de manutenção da taxa básica. A ferramenta FedWatch, do CME Group, indicava 82% de chance de estabilidade antes do CPI; após o dado, a probabilidade subiu para 94%. Warsh não deu pistas sobre o futuro dos juros, repetindo que as decisões dependerão dos “dados que chegarem”.

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No Brasil, o Copom divulga a ata de sua última reunião na próxima terça-feira (21), e o mercado buscará pistas sobre como o colegiado interpreta o cenário externo. A combinação de deflação americana e cautela do Fed mantém a curva de juros longa em compasso de espera, sem direção clara para os vértices além de 2028. Até lá, cada novo dado de inflação e emprego nos EUA seguirá ditando o vaivém dos ativos brasileiros.


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