O Supremo Tribunal Federal marcou para 19 de agosto o julgamento que definirá como o Rio de Janeiro escolherá o sucessor de Cláudio Castro após a cassação do governador pelo Tribunal Superior Eleitoral. A Corte vai decidir se haverá eleição direta, com participação dos eleitores, ou eleição indireta, conduzida pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
A data empurra a disputa para depois do recesso do Judiciário e mantém o estado sob comando interino enquanto o Supremo conclui a análise do mandato-tampão. O caso tem placar parcial de 4 votos a 1 a favor da eleição indireta, mas o resultado só terá efeito depois da conclusão do julgamento no plenário.
A indefinição pesa porque o calendário está apertado. Um novo pedido de vista durante a sessão pode adiar outra vez a decisão e reduzir a margem para organizar qualquer escolha suplementar ainda em 2026. Na prática, o STF decidirá não apenas o modelo de sucessão, mas também se ainda há tempo útil para executá-lo.
Plenário decide entre voto direto e eleição pela Alerj
O julgamento opõe dois caminhos políticos para o governo fluminense. Pela eleição direta, a escolha do governador-tampão voltaria às urnas. Pela eleição indireta, os deputados estaduais assumiriam a tarefa de eleger o nome que completaria o período restante do mandato.
A maioria formada até agora favorece a segunda alternativa. Esse entendimento concentra a sucessão na Alerj e tende a encurtar o rito, ponto considerado relevante diante do avanço do calendário eleitoral. Ainda assim, ministros podem mudar votos até o fim do julgamento, e o placar parcial não encerra a controvérsia.
O processo já havia sido interrompido em abril, após pedido de vista do ministro Flávio Dino. A retomada foi colocada na pauta pelo presidente do Supremo, Edson Fachin, para 19 de agosto, quando o plenário volta a examinar o formato da sucessão estadual.
Rio permanece sob governo interino
Desde a saída de Castro, o Rio é comandado interinamente por Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Ele assumiu a administração estadual enquanto a disputa sobre o mandato-tampão segue pendente no Supremo.
A decisão tem impacto direto sobre a governabilidade do estado. Se o STF confirmar a eleição indireta, a Assembleia Legislativa passará ao centro do processo sucessório. Se prevalecer a eleição direta, caberá à Justiça Eleitoral organizar uma votação suplementar, com prazos, atos formais e calendário próprio.
O ponto mais sensível é a utilidade prática da escolha. Quanto mais tarde vier a decisão, menor será o período efetivo de mandato do governador-tampão. Esse fator aumenta o peso de uma solução rápida e torna o pedido de vista a principal variável política e institucional da sessão marcada para agosto.
Próximo passo é a sessão de 19 de agosto
Se o julgamento terminar em 19 de agosto, o Rio sairá da sessão com um caminho definido: eleição direta, eleição indireta ou manutenção do impasse caso o processo volte a ser interrompido. Com a decisão publicada, os órgãos eleitorais e estaduais terão de executar o modelo fixado pelo Supremo.
Até lá, Ricardo Couto continua no comando interino do governo fluminense, e a sucessão de Castro permanece subordinada ao calendário do STF. A consequência prática da sessão será determinar quem escolhe o governador-tampão — o eleitorado do Rio ou os deputados estaduais.











