A Procuradoria-Geral da República e a defesa de Jair Bolsonaro pediram ao Supremo Tribunal Federal que mantenha a prisão domiciliar humanitária do ex-presidente, apesar da apreensão de uma arma registrada em seu nome. As manifestações foram enviadas nesta quinta-feira (2) ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso.
O ponto de convergência entre os dois lados é decisivo: nem a defesa nem a PGR tratam o episódio como falta grave capaz, por si só, de derrubar o regime domiciliar. A divergência está no alcance da restrição. Para a Procuradoria, a manutenção de arma de fogo é incompatível com a condição de condenado em prisão domiciliar, ainda que a posse do armamento não tenha sido enquadrada como crime pela Polícia Civil do Distrito Federal.
Bolsonaro cumpre prisão domiciliar humanitária desde 2024, após condenação em segunda instância por desobediência a ordens do STF. O regime permite que ele permaneça em casa, mas impõe limitações sobre circulação, contatos e condutas consideradas incompatíveis com a execução da pena. É nesse ponto que a apreensão da Glock entrou no radar do Supremo.
Defesa tenta esvaziar risco de punição
Os advogados de Bolsonaro sustentam que a apreensão da arma não representa violação das regras da prisão domiciliar. Também informaram a Moraes que o ex-presidente não pretende reaver o armamento, uma sinalização para reduzir o peso disciplinar do episódio e afastar qualquer interpretação de resistência às condições impostas pelo STF.
A linha da defesa é separar a regularidade formal da arma da situação prisional de Bolsonaro. Como a Polícia Civil do DF concluiu que não houve crime na posse da Glock, os advogados afirmam que o caso não pode ser tratado como falta grave nem servir de fundamento para uma medida mais dura contra o ex-presidente.
PGR concorda em manter domiciliar, mas faz ressalva
A manifestação da PGR, assinada pelo procurador-geral Paulo Gonet, chega a uma conclusão parecida no resultado, mas por caminho diferente. A Procuradoria não pede a revogação da prisão domiciliar, porém afirma que a posse de arma não combina com a situação jurídica de um condenado submetido a regime de restrição em casa.
Na prática, o parecer dá a Moraes margem para preservar a domiciliar e, ao mesmo tempo, reforçar as condições do regime. O ministro pode manter a apreensão da arma, impor novas restrições ou determinar providências administrativas sobre o registro do armamento, sem necessariamente mandar Bolsonaro para outro regime de cumprimento de pena.
Moraes decide o efeito da apreensão
O caso passou a depender de Moraes depois que o ministro pediu novas manifestações para avaliar se a apreensão afetava as condições da prisão domiciliar. A análise do STF não se limita ao aspecto criminal já examinado pela Polícia Civil: o tribunal discute se a presença de uma arma registrada em nome do condenado é compatível com as regras de execução da pena.
A decisão de Moraes definirá se o episódio se encerra com a arma fora do alcance de Bolsonaro ou se produzirá novas restrições ao ex-presidente. Até lá, a posição conjunta de defesa e PGR reduz o risco de revogação imediata da domiciliar, mas mantém aberta a possibilidade de ajustes no regime imposto pelo Supremo.











