A safra brasileira de cana-de-açúcar encerrou o ciclo 2024/2025 em 676,96 milhões de toneladas, informou a Companhia Nacional de Abastecimento. O volume mantém o país em um patamar historicamente alto de produção, mas representa queda de 5,1% em relação à temporada anterior e abre um novo ciclo com oferta projetada ainda menor.
Mesmo com o recuo, o resultado ficou como a segunda maior safra da série acompanhada pela Conab. A leitura para o setor sucroenergético, portanto, não é de quebra generalizada, mas de perda de fôlego depois de uma temporada excepcional. Esse movimento importa porque a cana é a base de duas cadeias sensíveis para a economia brasileira: o açúcar, com peso nas exportações, e o etanol, que influencia a concorrência com a gasolina nos postos.
Conab vê nova queda no ciclo 2025/2026
Para a safra 2025/2026, o primeiro levantamento da Conab estima produção de 663,44 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Se confirmado, o volume ficará 2% abaixo do ciclo 2024/2025 e consolidará a segunda redução seguida da oferta nacional.
A queda projetada estreita a margem de manobra das usinas. Com menos cana disponível, a indústria precisa calibrar quanto direciona para açúcar e quanto transforma em etanol. Essa escolha depende de preços relativos, demanda interna por combustíveis, exportações, estoques e ritmo de moagem. Por isso, uma safra menor não se traduz automaticamente em alta ao consumidor, mas aumenta a atenção sobre o equilíbrio entre oferta agrícola e demanda industrial.
Clima, produtividade e renovação dos canaviais pesam na conta
O desempenho da cana não depende apenas da área plantada. Produtividade agrícola, idade dos canaviais, regime de chuvas, temperatura e janela de colheita podem alterar o volume final entregue às usinas. Em temporadas marcadas por seca ou por canaviais mais envelhecidos, a moagem tende a sentir o efeito mesmo quando a área disponível permanece relevante.
No Centro-Sul, principal região produtora do país, a área disponível para colheita deve crescer no ciclo 2026/2027. Levantamento da Serasa Experian indica avanço de 3,1%, para 9,17 milhões de hectares. A expansão ajuda a recompor capacidade agrícola, mas não elimina a pressão de curto prazo apontada pela Conab para 2025/2026, porque a produção final seguirá condicionada à produtividade dos canaviais e ao clima durante o desenvolvimento da lavoura.
Oferta menor eleva atenção sobre etanol e açúcar
Para o mercado, o ponto central é a combinação entre cana disponível e destino industrial. Quando o açúcar paga melhor, usinas tendem a elevar a produção do adoçante; quando o etanol ganha competitividade, a fabricação do biocombustível pode avançar. Essa decisão afeta exportadores, distribuidoras, produtores rurais e consumidores, especialmente em um país onde o etanol hidratado disputa espaço diretamente com a gasolina.
O quadro imediato é de produção ainda elevada, mas em trajetória de recuo. A safra 2024/2025 perdeu 5,1% sobre o ciclo anterior, a Conab estima nova queda de 2% em 2025/2026 e o Centro-Sul só deve ampliar a área disponível no ciclo seguinte. Até que a moagem avance e os preços definam o mix das usinas, o setor entra na próxima temporada com menos folga na oferta de matéria-prima.











