O crédito bancário continua caro no Brasil mesmo com a economia já operando sob juros altos. Com a Selic em 14,25% ao ano, a taxa média cobrada de pessoas físicas chegou a 56,7% ao ano em maio de 2026, segundo as Estatísticas Monetárias e de Crédito do Banco Central.
O aperto aparece também na inadimplência. A fatia de operações de crédito com atraso subiu de 4,6% em abril para 4,7% em maio, o maior nível da série histórica iniciada em março de 2011. Para as empresas, a taxa média de juros ficou em 23,5% ao ano, patamar que encarece capital de giro, reposição de estoque e investimento.
Juro básico alto pesa sobre o preço final do empréstimo
O Comitê de Política Monetária manteve a Selic em 14,25% ao ano em decisão de 19 de junho. A taxa básica funciona como referência para o custo do dinheiro na economia e influencia o preço de empréstimos, financiamentos e linhas de crédito, embora não explique sozinha o valor pago por consumidores e empresas.
O custo final do crédito incorpora também o spread bancário, o prazo da operação, as garantias oferecidas e o risco de inadimplência. Quando os atrasos aumentam, os bancos tendem a cobrar mais para compensar a chance de perda. Com a Selic ainda elevada, essa combinação reduz o espaço para queda relevante das taxas ao tomador.
Na prática, a taxa média de 56,7% ao ano para pessoas físicas mostra que o alívio ainda não chegou ao orçamento das famílias. Em linhas de uso emergencial, como cartão rotativo e cheque especial, o custo costuma ser ainda mais pesado e pode acelerar o endividamento quando a dívida não é quitada rapidamente.
Inadimplência recorde limita alívio para famílias e empresas
A inadimplência em 4,7% ajuda a explicar por que o crédito não fica barato automaticamente quando surgem expectativas de desaceleração da economia. O aumento dos atrasos eleva a percepção de risco das instituições financeiras e pressiona as taxas cobradas em novas contratações.
Para as famílias, juros altos reduzem a renda disponível, dificultam a compra parcelada de bens duráveis e tornam mais cara a reorganização de dívidas. Para empresas, especialmente as pequenas e médias, o efeito aparece no custo de financiar estoque, folha, expansão e investimento produtivo.
O canal de transmissão para a economia é direto: crédito mais caro freia consumo, torna o investimento mais seletivo e aumenta a cautela de bancos e tomadores. Enquanto a Selic permanecer em 14,25% e a inadimplência seguir no maior patamar da série do Banco Central, o mercado de crédito deve continuar operando sob pressão.











