O pré-candidato pelo Missão, Renan Santos, afirmou que as ações tarifárias de Donald Trump contra o Brasil funcionam como um “favor” político a Luiz Inácio Lula da Silva e a Jair Bolsonaro, ao realimentar a polarização que organiza a disputa presidencial de 2026.
A leitura, divulgada nesta semana, tenta deslocar o eixo da campanha do confronto direto entre petismo e bolsonarismo e mira o flanco da família Bolsonaro, em particular o senador Flávio Bolsonaro, que tem atuado como interlocutor informal com a Casa Branca.
Tarifaço de 25% entra no tabuleiro eleitoral
A fala de Renan se encaixa em uma escalada que ganhou corpo na terça-feira (2), quando Lula tratou em tom abertamente eleitoral a tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Na ocasião, o presidente chamou Flávio Bolsonaro de “imbecil” e classificou os filhos do ex-presidente como “traidores da pátria”, afirmando ter combinado com Trump um prazo para tentar um acordo.
O movimento ocorre poucos dias depois de Trump elogiar Lula durante reunião com Flávio Bolsonaro, em 27 de maio, episódio em que o republicano também teria perguntado sobre a situação judicial de Jair Bolsonaro. Para Renan, esse vaivém entre ataques e acenos diplomáticos consolida o duopólio que ele tenta romper.
Estratégia mira Lula e Flávio no mesmo bloco
Ao classificar como “ridícula” a relação simultânea de Lula e de Flávio Bolsonaro com Trump, Renan procura colar nos dois adversários a imagem de subserviência à agenda americana. A tática reforça o discurso, já adotado pelo pré-candidato, de não “pedir pedágio” ao bolsonarismo, em contraste com nomes como Ronaldo Caiado e Romeu Zema.
O cálculo é eleitoral: ao apresentar tanto o tarifaço quanto a réplica de Lula como peças do mesmo jogo polarizado, Renan busca capitalizar o eleitorado que rejeita os dois polos e tem aparecido em pesquisas recentes citadas pelo próprio pré-candidato, que projeta vitória e diz que irá “arrasar” o presidente em debates.
O que ainda falta para medir o impacto
O próximo marco verificável é a publicação formal do ato tarifário americano, com alcance, prazo, setores afetados e rito administrativo — dado que permitirá dimensionar o efeito real sobre exportadores brasileiros e, por consequência, sobre o desgaste político dos atores envolvidos. Até o fechamento desta nota, não havia manifestação direta de Flávio Bolsonaro nem do governo Trump à crítica feita por Renan.
Também segue em aberto se o pré-candidato pretende converter o discurso em proposta de campanha, representação política ou agenda pública específica sobre comércio exterior. Por ora, o fato confirmado é o enquadramento dado por Renan: tratar o tarifaço como combustível compartilhado por Lula e pelo clã Bolsonaro.











