Uma mulher de 37 anos foi presa na terça-feira (2), em Pirabeiraba, distrito de Joinville (SC), após passar 14 meses se apresentando como uma adolescente de 12 anos. Segundo a Polícia Civil de Santa Catarina, ela atribuiu a aparência adulta ao suposto uso de hormônio, versão que será apurada pela 6ª Delegacia de Polícia de Joinville.
A suspeita usava o nome falso de Gabriele e foi acolhida por uma família da cidade, que a tratava como filha adotiva. O caso está sob responsabilidade do delegado Rodrigo Bueno Gusso. A identidade verdadeira da mulher não foi divulgada oficialmente e a família segue preservada. Até esta quarta-feira (3), não há confirmação de que tenha havido qualquer formalização jurídica da adoção.
Em nota, a Polícia Civil afirmou: “Ela confessou integralmente a autoria dos fatos. A suspeita tem antecedentes penais por golpes idênticos em outros estados.”
Hormônio, igreja e 14 meses como “Gabriele”
De acordo com a linha do tempo apresentada pela Polícia Civil, a convivência com a família começou em março de 2025, após uma abordagem em uma igreja. Entre março de 2025 e maio de 2026, a mulher manteve a identidade de “Gabriele”, de 12 anos. Para sustentar a versão diante de questionamentos sobre traços adultos, ela alegou estar sob efeito de hormônio — explicação que a investigação ainda precisa confrontar com documentos e laudos.
Os antecedentes citados pela corporação envolvem golpes semelhantes em ao menos cinco estados, incluindo Minas Gerais. A reincidência é o ponto que tira o episódio da chave de caso isolado: a suspeita passa a ser investigada como peça de um padrão de fraudes repetidas, e não apenas como autora de um engano pontual contra uma família.
Nas redes sociais, o caso viralizou pela semelhança com o filme “A Órfã”, de 2009. A comparação, porém, não muda o enquadramento policial: o que está confirmado é a prisão em flagrante em Joinville e a suspeita de estelionato.
O que ainda falta para fechar o caso
A próxima etapa confirmada é a continuidade do procedimento na 6ª DP de Joinville, que deve detalhar, por documento oficial, quais crimes serão formalmente atribuídos à suspeita e como os antecedentes em outros estados serão incorporados à investigação catarinense. A versão do uso de hormônio também tende a ser submetida a perícia médica.
Dois pontos seguem em aberto: se a mulher já cumpriu pena pelos crimes anteriores e se houve algum ato jurídico formal de adoção pela família de Joinville. Enquanto esses dados não forem publicados por autoridade competente, não podem ser tratados como fatos fechados.










