A Federação Norueguesa de Futebol (NFF) acionou o Comitê de Ética da Fifa contra o Prêmio da Paz entregue ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em dezembro de 2025, no Kennedy Center, em Washington. A carta foi enviada na terça-feira (2) e confirmada pela entidade nesta quarta-feira (3), em movimento que coloca a gestão de Gianni Infantino sob escrutínio formal a um ano da Copa do Mundo organizada por Estados Unidos, México e Canadá.
No documento, a NFF sustenta que a honraria, criada pela própria Fifa para a cerimônia em Washington, pode contrariar a neutralidade política prevista nos estatutos da entidade. O ponto central da cobrança é se Infantino usou a estrutura institucional para conceder um prêmio sem critérios públicos de seleção, em ato de aproximação com o governo norte-americano.
Como a Noruega chegou ao Comitê de Ética
A pressão norueguesa não nasceu esta semana. Em 27 de abril de 2026, Lise Klaveness, presidente da NFF, defendeu publicamente a extinção do Prêmio da Paz, sob o argumento de que a honraria não teria legitimidade técnica nem respaldo nas regras da Fifa. A carta enviada agora a Zurique formaliza a posição da federação e transforma a crítica pública em demanda interna por procedimento ético.
O movimento se soma a uma denúncia anterior protocolada pela ONG FairSquare, ainda em dezembro de 2025, logo após a entrega do prêmio. Com isso, o Comitê de Ética passa a ter dois pedidos formais sobre o mesmo episódio: o da entidade civil, focado em governança, e o da federação filiada, que invoca explicitamente o princípio de neutralidade política.
O que está em jogo para Infantino
A Fifa cita neutralidade política como princípio estatutário, e a aproximação entre Infantino e Trump já vinha sendo criticada pela federação norueguesa antes mesmo da entrega da honraria. Uma abertura de procedimento pelo Comitê de Ética obrigaria a entidade a explicar quem decidiu criar o prêmio, sob quais critérios e quem assinou a escolha do homenageado, informações que até agora não foram tornadas públicas.
O contexto eleva o peso institucional do caso: o Mundial de 2026 será disputado em território norte-americano, com a Casa Branca como interlocutora direta da Fifa em segurança, vistos e infraestrutura. Uma decisão ética desfavorável a Infantino, ou mesmo um arquivamento sem fundamentação, expõe a entidade a questionamentos sobre o equilíbrio entre governança esportiva e relação com o governo do país-sede.
Próximos passos e lacunas
O próximo passo verificável é a manifestação do Comitê de Ética da Fifa sobre a carta da NFF e a denúncia da FairSquare. Não há prazo oficial informado para abertura de procedimento, arquivamento ou divulgação de decisão preliminar, e a Fifa não foi declarada culpada de violar seus estatutos: o caso permanece em fase de apuração interna.
Seguem sem publicação oficial os critérios usados para a criação do Prêmio da Paz e o registro de quem participou da escolha do homenageado. Essa lacuna documental é parte central da cobrança norueguesa e deve orientar eventual resposta de Zurique nas próximas semanas.











