quarta-feira, junho 3
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Brasil

Raízen propõe PIK e troca de dívida por ação a R$ 0,25

Plano de R$ 65,4 bi prevê aporte de R$ 3,5 bi da Shell, adia juros por três anos e vai a voto em 8 de junho.

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT e Júnior Cardoso

Pontos-chave

  • Recuperação extrajudicial soma R$ 65,4 bilhões e ainda depende de aval dos credores.
  • Juros seriam adiados por três anos, com prêmio adicional de 2 pontos percentuais.
  • Minuta prevê troca de 55% da dívida por novos títulos e 45% por participação acionária.
  • Shell se comprometeu a aportar R$ 3,5 bilhões na companhia, sócia da Cosan.

A Raízen apresentou nesta quarta-feira (3) a minuta de recuperação extrajudicial que reorganiza R$ 65,4 bilhões em dívida, adia o pagamento de juros por três anos via títulos PIK e converte parte do passivo em ações a R$ 0,25 cada. A proposta depende da aprovação dos credores em assembleia marcada para 8 de junho.

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O eixo financeiro do plano é a troca entre alívio imediato de caixa e custo futuro maior. Os títulos PIK suspendem o desembolso de juros por 36 meses, mas embutem prêmio adicional de 2 pontos percentuais sobre o estoque renegociado, o que amplia a conta que a companhia terá de honrar depois do período de carência.

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Em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Raízen afirmou que a recuperação extrajudicial foi “consensualmente estruturada com seus principais credores”. A companhia ressalva, no mesmo documento, que valores e instrumentos seguem sujeitos à votação e que o plano pode ser modificado até a homologação judicial.

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Como o PIK e a conversão em ações afetam credores

Pela minuta, 55% da dívida incluída na recuperação será trocada por novos títulos com a estrutura PIK, e 45% será convertida em ações ordinárias ao preço de referência de R$ 0,25. O percentual de diluição final dos acionistas atuais, no entanto, ainda não foi publicado oficialmente pela companhia, o que mantém em aberto o impacto sobre o capital social.

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O plano prevê ainda aporte de R$ 3,5 bilhões da Shell, sócia da Raízen ao lado da Cosan na joint venture criada em 2010. O recurso entra como reforço de liquidez antes da execução do cronograma de pagamentos. A operação afeta diretamente milhares de investidores pessoas físicas que detêm Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) emitidos pela empresa.

Endividamento de R$ 75,3 bi pressionou a companhia

A Raízen protocolou o pedido de recuperação extrajudicial em 11 de março de 2026, em meio a um quadro que a própria empresa atribui à combinação de juros altos, safra menor e endividamento elevado. A dívida total declarada é de R$ 75,35 bilhões, dos quais R$ 65,4 bilhões entram no escopo da renegociação.

O caso se inscreve entre as maiores reestruturações corporativas em curso no país e expõe a tensão entre preservar caixa no curto prazo e aceitar mudanças relevantes na estrutura de capital, com diluição de acionistas e alongamento de prazos para credores.

Assembleia de 8 de junho define o próximo passo

A assembleia geral de credores está marcada para 8 de junho. Se a proposta for aprovada nos termos atuais, o cronograma da companhia prevê a conclusão da implementação até 31 de março de 2027, prazo final indicado para a execução das etapas do plano.

Duas lacunas seguem sem resposta oficial e devem definir o desfecho: o percentual exato de diluição dos acionistas após a conversão da dívida em ações e a posição da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) sobre os créditos tributários envolvidos. Sem esses dois pontos, não há base documental para afirmar adesão dos credores nem viabilidade final do plano.