A ex-marqueteira do PT Danielle Fonteles afirmou em depoimento à Polícia Federal, em 20 de maio, que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, participou de reuniões de negócios com Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado como operador central do esquema de fraudes em benefícios previdenciários investigado pela PF.
O relato aproxima o filho mais velho do presidente Lula da maior investigação em curso sobre desvios no INSS e abre uma nova frente de desgaste político para o Planalto. No mesmo dia, a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, também foi ouvida pela PF e negou ter feito qualquer transferência ao filho do presidente.
A Controladoria-Geral da União decidiu convocar uma informante da Polícia Federal para esclarecer a menção a uma suposta mesada de R$ 1,5 milhão atribuída a Lulinha. A oitiva é tratada por investigadores como peça-chave para confirmar ou descartar a hipótese de repasses.
O que diz o depoimento
Danielle Fonteles atuou como marqueteira em campanhas ligadas ao PT antes de prestar consultoria a grupos empresariais com interesses no setor previdenciário. No depoimento, ela descreveu Lulinha como presença em reuniões articuladas pelo Careca do INSS e sugeriu que o filho do presidente funcionava como vitrine das tratativas.
Fábio Luís Lula da Silva já foi alvo das operações Zelotes e Lava Jato, mas nunca foi condenado. É a primeira vez que seu nome aparece formalmente vinculado à investigação sobre o Careca do INSS, considerada pela PF a maior apuração em curso sobre desvios em benefícios previdenciários.
Como a investigação chegou até aqui
A apuração sobre o Careca do INSS começou com uma operação da Polícia Federal deflagrada em 1º de abril de 2025 e mira suspeitas de desvios em benefícios previdenciários, com prisões de servidores e lobistas ao longo do último ano. Em dezembro de 2025, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou o envio de ofício à CGU para apurar suposta influência da empresa World Cannabis no esquema.
A oitiva de 20 de maio é tratada como ponto de inflexão da apuração porque foi a primeira a colocar o filho do presidente no centro do circuito de reuniões atribuídas ao operador.
Reação dos citados e silêncio do Planalto
A negativa de Roberta Luchsinger é o principal contraponto registrado às suspeitas de pagamento. A versão dela faz com que a investigação dependa de documentos bancários, novas oitivas e cruzamento de agendas para sustentar ou descartar a hipótese de repasses ao filho do presidente.
Lulinha, seus advogados e o governo Lula não se manifestaram publicamente sobre o teor do depoimento de Fonteles. O silêncio amplia a margem de exploração política do caso, num momento em que o Planalto tenta blindar a agenda do segundo ano de mandato. Em maio, o PIRANOT mostrou que Lula abriu vantagem em pesquisas após o caso Dark Horse, sinal de que novas investigações podem reabrir frentes de desgaste para o governo.
Próximos passos na PF e na CGU
A etapa imediata é a oitiva da informante pela Controladoria-Geral da União, marcada para esclarecer a suposta mesada de R$ 1,5 milhão atribuída a Lulinha. A Polícia Federal ainda deve aprofundar a apuração sobre quais negócios foram tratados nas reuniões descritas por Fonteles e cruzar dados bancários dos citados.
Por ora, não há denúncia formal nem indicação, pela PF, de que o presidente Lula tivesse conhecimento ou participação nos fatos apurados.











