sábado, 18 de julho de 2026
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Pesquisa com 307 estruturas em mais de 30 países aponta fuga do dólar, mais ouro e coincide com onda recorde de capital estrangeiro no Brasil.

Family offices fazem maior virada de portfólio da série do UBS

Pesquisa com 307 estruturas em mais de 30 países aponta fuga do dólar, mais ouro e coincide com onda recorde de capital estrangeiro no Brasil.

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT e Júnior Cardoso

Pontos-chave

  • Pesquisa ouviu 307 family offices em mais de 30 países entre janeiro e março.
  • Estruturas consultadas administram em média US$ 2,7 bilhões por família.
  • Fatia que planeja mudanças subiu de 35% em 2025 para 60% em 2026.
  • Relatório aponta busca por diversificação em ativos, moedas e regiões.

Seis em cada dez family offices pesquisados pelo UBS planejam mudar a alocação estratégica de seus portfólios em 2026, o maior porcentual já registrado pelo banco suíço nesse acompanhamento e quase o dobro dos 35% apurados no ciclo anterior. O movimento, descrito pelo banco como uma corrida por resiliência diante de risco geopolítico e desconfiança no dólar, acontece em paralelo a uma entrada recorde de capital estrangeiro em ativos brasileiros.

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Os dados estão no Global Family Office Report 2026, divulgado pelo UBS em 28 de maio. A pesquisa ouviu 307 estruturas em mais de 30 países, entre 22 de janeiro e 30 de março, que administram em média US$ 2,7 bilhões por família — um universo que, somado, movimenta patrimônio relevante para definir tendências globais de preço, câmbio e juros.

Para onde vai o dinheiro dos super-ricos

O ponto central da virada é o dólar. Segundo o relatório, 65% dos family offices esperam fraqueza da moeda americana, 48% se consideram sobreexpostos a ela e 29% afirmam estar reduzindo essa exposição. A contrapartida aparece no ouro, que deve subir de 2% para 3% da alocação média — um aumento aparentemente modesto, mas expressivo quando aplicado a carteiras bilionárias.

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Os ajustes não param aí. A fatia destinada a imóveis recua de 11% para 8% e a de private equity, de 21% para 18%, sinal de busca por liquidez. Em paralelo, 65% dos pesquisados já mantêm exposição a inteligência artificial, tema apontado como uma das poucas apostas estruturais preservadas em meio ao recuo dos ativos tradicionais.

Risco geopolítico é citado por 64% dos family offices como principal ameaça de curto prazo e por 61% no horizonte mais longo. A dívida soberana preocupa 31% agora e 56% à frente, enquanto o temor de recessão salta de 17% no curto prazo para 50% no longo. “Os family offices estão diversificando entre ativos, moedas e regiões, sem abrir mão da exposição a temas de longo prazo”, afirmou Benjamin Cavalli, do UBS Global Wealth Management, ao apresentar o levantamento.

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O que muda para o Brasil, Bolsa e câmbio

A reorientação global coincide com um dos fluxos externos mais fortes da década para o Brasil. Dados do Banco Central mostram ingresso líquido de US$ 3,132 bilhões em ações brasileiras em fevereiro de 2026, alta de cerca de 290% ante o mesmo mês de 2025. No bimestre, o investimento estrangeiro em ações somou US$ 6,884 bilhões.

O movimento é ainda mais intenso na renda fixa. O Banco Central registrou entrada líquida de US$ 2,579 bilhões em fevereiro, avanço de 5.273% na comparação anual, e US$ 9,518 bilhões no acumulado de janeiro e fevereiro. Esses números confirmam apetite externo por ativos brasileiros, mas não permitem afirmar que os recursos venham especificamente dos family offices descritos pelo UBS.

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Na Bolsa, o fluxo estrangeiro somou R$ 57 bilhões entre janeiro e abril de 2026, após saída líquida de R$ 24,1 bilhões em 2024, segundo levantamento da Quantum Finance com dados da B3. A participação estrangeira no mercado à vista passou de 58,30% em 2025 para 61,20% neste ano — patamar que ajuda a sustentar preços de ações, pressiona o câmbio para baixo e influencia juros futuros.

Para o investidor brasileiro, o sinal é duplo. De um lado, a entrada externa tende a beneficiar empresas exportadoras, commodities e papéis líquidos do Ibovespa. De outro, deixa o mercado mais sensível a uma reversão repentina caso a percepção fiscal piore — risco já presente após o governo bloquear R$ 23,7 bilhões no Orçamento de 2026, conforme PIRANOT mostrou.

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O que ainda falta confirmar

O UBS descreve uma mudança global de alocação; a conexão direta com o mercado brasileiro depende de novos dados. Não há, até aqui, publicação oficial que detalhe a origem final dos recursos por tipo de investidor, o que impede afirmar quanto desse capital vem efetivamente dos family offices ouvidos pelo banco suíço.

O próximo termômetro será a divulgação dos fluxos de março e abril pelo Banco Central e a leitura mensal da B3, que dirão se a entrada externa se sustenta diante do cenário fiscal doméstico e da política monetária dos Estados Unidos. Até lá, a coincidência entre a virada descrita pelo UBS e o ingresso recorde de capital no Brasil continua sendo um sinal forte — não uma relação de causa comprovada.


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