A inteligência artificial generativa tornou possível a produção industrial de vídeos falsos de guerra em conflitos internacionais, fenômeno batizado de slopaganda, com escala expressiva no confronto recente entre Irã, Estados Unidos e Israel. Reportagens dos veículos G1 e O Globo, publicadas em 30 de maio de 2026, documentam o uso de IA por governos para gerar conteúdo enganoso hiper-realista, distribuído em redes sociais a custo baixo e em velocidade que inviabiliza checagem imediata. As reportagens consultadas não continham citações diretas de autoridades, baseando-se em análise de material audiovisual e documentos internos de plataformas.
O termo slopaganda combina “slop” (conteúdo de baixa qualidade gerado por IA) e “propaganda”, e descreve a produção em massa de deepfakes que imitam cenas bélicas — desde supostas rendições de líderes até ataques a civis. Em 2022, vídeos falsos mostrando o presidente ucraniano anunciando a rendição do país circularam em massa, um dos primeiros casos documentados de manipulação por IA em contexto de guerra. Quatro anos depois, a tecnologia reduziu custos a ponto de qualquer Estado ou grupo com acesso à internet poder fabricar narrativas visuais antes que os fatos sejam verificados de forma independente.
A plataforma X (antigo Twitter) anunciou a suspensão da monetização de vídeos de guerra produzidos com IA que não contenham aviso explícito de manipulação, conforme reportagem do veículo Correio do Povo publicada em 2 de junho de 2026. A medida está prevista para entrar em vigor em 3 de junho de 2026. No Brasil, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou em 2025 resolução que exige aviso explícito de manipulação em propagandas eleitorais com uso de IA — norma que antecipou preocupações agora concretizadas no cenário externo. Em 24 de maio, O Globo documentou a consolidação de um ecossistema de cortes de vídeo com IA voltado a eleições brasileiras, com monetização e distribuição em larga escala. O volume total desses vídeos e quais governos os produzem, contudo, não foram confirmados por fontes oficiais.
De deepfakes de rendição à fábrica industrial de mentiras
A propaganda de guerra existe desde o século XX, mas a IA generativa reduziu o custo de produção de deepfakes hiper-realistas a ponto de torná-los acessíveis a qualquer Estado ou grupo com acesso à internet. Em outubro de 2025, a Revista Brasileira de Inteligência, vinculada à ABIN, publicou artigo sobre o uso de desinformação por atores estrangeiros como instrumento de influência política e militar. O documento antecipou o que agora se observa em conflitos ativos: a fabricação de narrativas visuais antes que os fatos possam ser verificados de forma independente. A identidade dos governos diretamente responsáveis pelos vídeos nos conflitos citados, porém, não foi confirmada por fontes oficiais.
O Correio24Horas publicou, em 30 de maio de 2026, guia prático para identificar vídeos falsos gerados por IA nas eleições de 2026. O material destaca sinais como distorções faciais, sincronia labial imperfeita e inconsistências de iluminação — elementos que, embora cada vez mais refinados, ainda permitem a detecção por observadores treinados. A orientação reforça a necessidade de verificação antes de compartilhar conteúdos com apelo emocional, especialmente em contextos eleitorais.
Eleições de 2026 e a régua ainda sendo afinada
O fenômeno chega às vésperas das eleições brasileiras de outubro de 2026. O TSE impõe aviso de manipulação nas peças eleitorais com IA, mas a regulação se concentra no período formal de campanha — deixando aberto o intervalo anterior, quando a formação de opinião já está em curso. Em municípios como Piracicaba, o mesmo mercado de cortes de vídeo com IA voltado a disputas nacionais pode ser acionado em eleições suplementares ou municipais de 2028, sem mecanismo de fiscalização local específico.
A dimensão do fenômeno ultrapassou o debate técnico. O Papa Leão XIV dedicou encíclica recente a pedir o ‘desarmamento’ da inteligência artificial, citando riscos sistêmicos para a sociedade — posição repercutida pelo PIRANOT em 27 de maio. No plano institucional, a pressão simultânea de plataformas de redes sociais, Justiça Eleitoral e agências de inteligência aponta para um ciclo de restrições crescentes — com regras ainda sendo desenhadas enquanto a slopaganda já está em campo. As reportagens citadas neste texto foram publicadas em 30 de maio de 2026 e não incluem declarações diretas de autoridades dos países envolvidos nos conflitos, baseando-se em documentação jornalística dos veículos G1, O Globo, Correio24Horas e Correio do Povo.











