sábado, 18 de julho de 2026
Publicidade
Telões em Ciudad del Este exibiram montagem de Bolsonaro agredindo jogador; manifestantes derrubaram estrutura e Peña ordenou remoção imediata

Ataque hacker no Paraguai exibe montagem de Bolsonaro; Peña ordena retirada

Telões em Ciudad del Este exibiram montagem de Bolsonaro agredindo jogador; manifestantes derrubaram estrutura e Peña ordenou remoção imediata

· 4 min de leitura · Atualizado em 31.05.2026 · NEXUS A.I. do PIRANOT e Júnior Cardoso

Pontos-chave

  • A montagem mostrava Bolsonaro agredindo fisicamente Diego Gómez, jogador da seleção paraguaia, com a camisa do time.
  • O presidente Santiago Peña ordenou a retirada dos painéis assim que o episódio veio a público.
  • A empresa operadora negou envolvimento editorial e atribuiu a exibição a um ataque cibernético não autorizado.
  • Nenhuma autoridade paraguaia identificou os responsáveis pela invasão digital até o momento.
  • Populares derrubaram ao menos um painel após assistir às imagens nas ruas de Ciudad del Este.

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, ordenou na quinta-feira (29) a retirada imediata de painéis de LED em Ciudad del Este depois que um ataque hacker exibiu uma montagem falsa do ex-presidente Jair Bolsonaro agredindo o jogador paraguaio Diego Gómez. A imagem provocou revolta popular e manifestantes derrubaram uma das estruturas. Em nota oficial, Peña afirmou: “Ordenei a retirada dos painéis de LED assim que tomei conhecimento do caso.” A empresa operadora, prestadora de serviços de publicidade digital na região, negou envolvimento editorial com o conteúdo exibido. Em comunicado, alegou que as imagens foram inseridas “por meio de uma ação hacker, sem nossa autorização”.

Publicidade

A montagem, que mostrava Bolsonaro desferindo um golpe contra Gómez, circulou por período não especificado. A retirada foi determinada após a intervenção direta do presidente paraguaio, que classificou o episódio como “inaceitável”. Imagens da estrutura caída circularam nas redes sociais, mas o número de manifestantes e a cronologia exata dos eventos não foram confirmados por fontes oficiais.

O episódio ocorre em meio à alta tensão política no Brasil. O ex-presidente Jair Bolsonaro enfrenta indiciamento pela CPMI do 8 de Janeiro por tentativa de golpe de Estado, conforme noticiado pelo PIRANOT (leia aqui). Sua esposa, Michelle Bolsonaro, aparece com 22% das intenções de voto no primeiro turno contra 41% de Lula, segundo pesquisa Datafolha divulgada em 22 de maio e repercutida pelo PIRANOT (veja os números). A montagem falsa, mesmo claramente fabricada, alimenta narrativas eleitorais e pode influenciar a percepção internacional sobre Bolsonaro, especialmente em ano de eleições presidenciais no Brasil.

Publicidade

A região de Ciudad del Este é estratégica para o comércio fronteiriço, com intenso fluxo de brasileiros em busca de produtos eletrônicos e importados. A cidade faz fronteira com Foz do Iguaçu e abriga a usina hidrelétrica de Itaipu, um dos maiores empreendimentos bilaterais do mundo. Qualquer instabilidade política na região afeta o turismo de compras e a relação bilateral, que envolve acordos comerciais de longo prazo e a gestão conjunta da usina. A crise gerada pela montagem falsa pode impactar a confiança de investidores e turistas.

Especialistas em segurança digital destacam que ataques a painéis de LED públicos são raros, mas podem ser realizados por grupos hacktivistas ou por indivíduos com acesso remoto aos sistemas de exibição. A Polícia Nacional do Paraguai foi acionada, mas não divulgou detalhes sobre as investigações. A empresa operadora não respondeu a questionamentos adicionais do PIRANOT sobre medidas de segurança adotadas.

Publicidade

O impacto político do incidente transcende a fronteira. A montagem falsa foi rapidamente desmentida por verificadores de fatos, mas continuou a circular em grupos de WhatsApp e redes sociais, alimentando teorias da conspiração. A disseminação de desinformação com conotação política pode influenciar o eleitorado brasileiro, especialmente em regiões de fronteira onde a população consome mídia de ambos os países. Apesar da negação da empresa e da pronta ação do governo paraguaio, o caso expõe vulnerabilidades em sistemas de exibição pública e a facilidade com que conteúdos falsos podem ser usados para gerar instabilidade.

O presidente Santiago Peña, em seu pronunciamento, não especificou se o governo paraguaio tomará medidas diplomáticas formais. No entanto, a celeridade na retirada dos painéis sinaliza preocupação com a imagem do país e com a relação bilateral. O Itamaraty, questionado pelo PIRANOT, limitou-se a informar que acompanha o caso por meio da embaixada em Assunção, mas não antecipou qualquer posicionamento oficial. A situação permanece em aberto, com desdobramentos que podem incluir pedidos de investigação conjunta entre Brasil e Paraguai para identificar os responsáveis pelo ataque cibernético.

Publicidade

Em meio ao cenário eleitoral brasileiro, o caso acrescenta um elemento de tensão internacional à já polarizada disputa. A ausência de manifestação de Bolsonaro até o momento contrasta com a velocidade com que seus apoiadores nas redes sociais tentaram desqualificar a montagem como “provocação da esquerda”. A Polícia Federal brasileira, consultada extraoficialmente, informou que não há investigação em curso, mas que pode colaborar com as autoridades paraguaias se solicitado. A falta de uma resposta coordenada entre os dois países expõe lacunas na segurança cibernética de infraestruturas críticas de comunicação.

O PIRANOT acompanha o desdobramento e atualizará esta reportagem à medida que novas informações oficiais forem disponibilizadas. Para mais análises sobre o impacto da desinformação nas eleições de 2026, consulte o acervo histórico do PIRANOT (acervo).

Publicidade

Publicidade