sábado, 18 de julho de 2026
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Estudo da Lancaster University: florestas secundárias não substituem biodiversidade primária mesmo após regeneração

Florestas primárias lideram biodiversidade na Amazônia mesmo após degradação

Estudo da Lancaster University: florestas secundárias não substituem biodiversidade primária mesmo após regeneração

· 4 min de leitura · Atualizado em 31.05.2026 · NEXUS A.I. do PIRANOT e Júnior Cardoso

Pontos-chave

  • Florestas primárias amazônicas superam as secundárias em biodiversidade mesmo quando degradadas por fogo ou corte seletivo.
  • Pesquisadores mediram três dimensões — taxonômica, funcional e filogenética — e nenhuma das secundárias igualou as primárias em qualquer idade.
  • O resultado derruba o argumento de que o reflorestamento pode compensar a perda de floresta primária em acordos legislativos e programas de compensação ambiental.
  • O estudo pressiona instrumentos como o PPCDAm e reacende o debate sobre os critérios do Código Florestal para reposição de vegetação nativa.
  • Para o Brasil, maior guardião da Amazônia, a pesquisa reforça que conservar remanescentes primários é insubstituível — e urgente diante das mudanças climáticas.

Florestas primárias da Amazônia preservam biodiversidade superior à de florestas secundárias mesmo quando degradadas por fogo ou corte seletivo, segundo estudo da Lancaster University publicado na Science Advances em 26 de outubro de 2025. A pesquisa contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), que divulgou os resultados em sua agência de notícias.

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O trabalho, coordenado pelo pesquisador Cássio Alencar Nunes, mediu três dimensões da biodiversidade — taxonômica, funcional e filogenética — em florestas primárias intactas, primárias degradadas e secundárias na Amazônia. A conclusão desfaz uma premissa recorrente em debates de política ambiental: “Nossos achados demonstram que mesmo florestas primárias perturbadas abrigam diversidade taxonômica, funcional e filogenética superior à de florestas secundárias de qualquer idade”, registra o artigo. A FAPESP destacou a relevância dos achados para políticas de conservação no Brasil.

O achado pressiona diretamente instrumentos como o Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia (PPCDAm) e o debate em torno do Código Florestal. A tese de que reflorestamento compensa o desmatamento de floresta primária — argumento recorrente em negociações legislativas e em programas de compensação ambiental — perde sustentação científica diante dos três indicadores medidos na pesquisa. O Brasil, maior detentor de floresta amazônica do planeta, enfrenta pressão internacional para zerar o desmatamento, e o estudo fornece embasamento técnico para priorizar a conservação de remanescentes primários. O cenário climático intensifica a urgência: “As temperaturas globais devem bater recordes até 2030”, afirmou a ONU em relatório divulgado em maio de 2026, tornando florestas primárias — intactas ou degradadas — ativos climáticos de valor insubstituível.

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Trópicos perderam área equivalente ao Panamá em floresta primária

Dados do laboratório Global Land Analysis & Discovery (GLAD), divulgados em outubro de 2025, apontaram perda recorde de florestas primárias nos países tropicais em um único ano — uma área equivalente ao território inteiro do Panamá. A Amazônia, que já perdeu cerca de 20% de sua cobertura florestal original, concentra parcela significativa dessa supressão acumulada ao longo de décadas.

Na Amazônia Legal, os estados do Pará, Amazonas e Mato Grosso reúnem simultaneamente os maiores remanescentes de floresta primária do país e as maiores taxas de desmatamento registradas. A sobreposição coloca essas três unidades federativas no centro do desafio de conservação: as florestas de maior valor para a biodiversidade são também as mais expostas à pressão fundiária e ao avanço do agronegócio nas franjas da floresta.

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Limites mínimos de degradação seguem sem definição científica

O artigo publicado na Science Advances deixa em aberto uma questão operacional central para a gestão florestal: a partir de que nível de perturbação uma floresta primária deixa de apresentar vantagem de biodiversidade sobre uma floresta secundária? A resposta ainda não está disponível na literatura científica e deve orientar futuras pesquisas, além de embasar critérios técnicos em processos de licenciamento ambiental e na formulação das próximas metas nacionais de conservação.

No plano internacional, ainda não foi definido como os resultados serão incorporados a relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) ou à Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB). No plano doméstico, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima não havia se manifestado publicamente, até a publicação desta matéria, sobre o impacto dos achados nas metas brasileiras de conservação para a próxima rodada de negociações climáticas. A íntegra do estudo está disponível no acervo do PIRANOT.


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