sábado, 18 de julho de 2026
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Operações no Rio e SP revelam mercado paralelo 33% maior que 2022; Kaspersky mapeia 20 domínios de phishing ligados ao álbum

Polícia apreende 285 mil figurinhas falsas da Copa e alerta para golpes digitais

Operações no Rio e SP revelam mercado paralelo 33% maior que 2022; Kaspersky mapeia 20 domínios de phishing ligados ao álbum

· 4 min de leitura · Atualizado em 31.05.2026 · NEXUS A.I. do PIRANOT e Júnior Cardoso

Pontos-chave

  • As duas operações aconteceram em menos de dez dias, sendo a primeira no Rio em 21 de maio e a segunda em São Paulo em 28 de maio.
  • Os envelopes piratas custavam R$ 5, dois reais abaixo do preço oficial da Panini, e chegavam sem selo de autenticidade.
  • Na operação paulista, foram apreendidas também 2 mil camisas falsificadas, revelando que o esquema pirata vai além das figurinhas.
  • A Kaspersky mapeou 20 domínios falsos que usam o tema do álbum da Copa para aplicar golpes em compradores pela internet.
  • Na Copa do Catar, em 2022, foram apreendidas 150 mil figurinhas só no Rio, o que torna o volume de 2026 33% acima daquele recorde.

Em menos de dez dias, 285 mil figurinhas falsas da Copa do Mundo foram apreendidas em operações no Rio de Janeiro (200 mil) e em São Paulo (85 mil), além de 2 mil camisas piratas, revelando um mercado paralelo 33% superior ao registrado na Copa de 2022, informaram a DRCPIM (Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Propriedade Imaterial) e a Deic/SP (Delegacia de Investigações Gerais). As ações ocorreram em 21 e 28 de maio de 2026, respectivamente, e expõem a capilaridade da falsificação de produtos licenciados, que agora também migra para o ambiente digital.

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Os cromos falsificados eram vendidos a R$ 5 o envelope, dois reais abaixo do preço oficial de R$ 7 praticado pela Panini, detentora dos direitos do álbum da Copa. “Foram encontrados 200 mil cromos falsificados, todos com embalagens que imitam as originais, mas com qualidade inferior”, disse a DRCPIM em nota. A diferença de preço é o principal chamariz do mercado ilegal — e também seu sinal de alerta mais imediato para o consumidor. Em São Paulo, a Deic/SP descreveu padrão idêntico: “Os ambulantes ofereciam os envelopes por R$ 5, sem o selo de autenticidade da Panini e com impressão borrada.” As 2 mil camisas falsificadas apreendidas na mesma batida indicam que o esquema pirata é mais amplo do que as figurinhas.

As operações, embora expressivas, capturam uma fração de um mercado que opera de forma capilarizada em todo o país — de feiras livres a grupos de troca em redes sociais, passando por vendedores ambulantes em cidades do interior. Procurada, a Panini não se manifestou até a publicação desta reportagem. O volume de apreensões em 2026 já supera em 33% o recorde da Copa do Catar, em 2022, quando foram retiradas de circulação cerca de 150 mil unidades no Rio.

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Golpe digital: phishing se aproveita da febre do álbum

A falsificação física é apenas parte do risco. A Kaspersky identificou, até 24 de maio, 20 domínios fraudulentos criados para simular lojas oficiais do álbum. Os sites replicam a identidade visual da Panini e induzem o usuário a informar dados bancários ou a pagar por produtos que nunca são entregues. “Ofertas muito abaixo do preço de tabela são indicativo de phishing, independentemente de quão legítimo o site aparente ser”, alerta a empresa de segurança digital. O risco financeiro é duplo: além de adquirir produto de qualidade inferior ou inexistente, o consumidor expõe dados sensíveis a esquemas criminosos.

O FNCP (Fórum Nacional Contra a Pirataria) estima perdas anuais de R$ 300 bilhões à economia brasileira decorrentes da pirataria — valor que contempla toda a cadeia produtiva afetada, do fabricante licenciado ao varejista oficial que compete em desvantagem com preços ilegalmente deprimidos. As mercadorias apreendidas em maio, a preço oficial da Panini, somam cerca de R$ 2 milhões desviados do mercado regular.

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Como identificar a figurinha falsa antes de comprar

A DRCPIM orienta o consumidor a verificar três pontos antes de qualquer compra: preço abaixo de R$ 7 por envelope é sinal imediato de irregularidade; ausência do selo holográfico de autenticidade da Panini na embalagem confirma o produto pirata; e impressão borrada ou papel de gramatura inferior entregam o falso mesmo quando a capa imita bem a original. Para compras online, a Kaspersky recomenda o mesmo critério de preço, além de desconfiar de sites que não exibem certificados de segurança ou que exigem pagamento em boletos ou transferências sem proteção ao consumidor.

As investigações conduzidas pela DRCPIM e pela Deic/SP buscam rastrear a origem das matrizes de impressão usadas pelos falsificadores — etapa considerada decisiva para desarticular a cadeia de produção, e não apenas os elos de distribuição e venda. Denúncias de venda de produtos piratas podem ser feitas pelos canais oficiais das respectivas polícias civis. O volume crescente das apreensões sinaliza que novas operações devem ocorrer nos próximos meses, antes e durante a Copa do Mundo de 2026. A tendência de alta da pirataria de produtos licenciados, que já acumulava elevação de 30% em 2025, reforça a necessidade de fiscalização contínua e alerta ao consumidor.


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