A Agência Internacional de Energia (IEA) classificou nesta quinta-feira (28) o fechamento do Estreito de Ormuz como “a maior disrupção de abastecimento da história do mercado global de petróleo”, segundo comunicado obtido pela Reuters. O bloqueio completa três meses ininterruptos em 28 de maio.
Nesta semana, o barril de petróleo WTI atingiu US$ 97,91 — alta de 7,45% em sete dias. A escalada reflete um dado estrutural: pelo Estreito de Ormuz transita aproximadamente 20% de todo o petróleo bruto comercializado no mundo. Desde que a passagem foi interditada, em 28 de fevereiro de 2026, essa fatia do abastecimento global permanece represada, sem rota alternativa de escala equivalente disponível no curto prazo.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou em declaração de abril que “a restrição ao tráfego está asfixiando a economia mundial”, segundo reportagem da Agência Brasil. A crise, porém, tem intensidade desigual: países com rotas diversificadas e reservas estratégicas resistem melhor à escassez, enquanto economias dependentes de importação direta pelo Golfo enfrentam o impacto mais severo. Em 14 de maio, o Iraque recorreu formalmente ao FMI e ao Banco Mundial em busca de assistência financeira de emergência, conforme apurou a Reuters com exclusividade — consequência direta do conflito que mantém Ormuz fechado.
Três meses de bloqueio em números: barril a quase US$ 100 e diesel mais que dobrado no Brasil
O Brasil sentiu o impacto diretamente na cadeia de abastecimento de diesel. De acordo com dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP), as importações de diesel provenientes da Rússia e dos Estados Unidos mais que dobraram entre fevereiro e abril: saltaram de 1,2 milhão de barris por dia para 2,5 milhões — reflexo da necessidade urgente de substituir fornecedores cujas rotas cruzam o Golfo Pérsico. A pressão sobre os preços avança por toda a economia: afeta a inflação, a logística industrial e o transporte urbano, mas é o agronegócio quem mais depende da estabilidade do insumo. Máquinas agrícolas, colheitadeiras e caminhões de escoamento funcionam a diesel, e qualquer choque de preço ou desabastecimento se traduz em perda de competitividade e risco à safra.
O histórico do estreito, documentado no acervo histórico do PIRANOT, dá dimensão ao que está em jogo. Durante a Guerra Irã-Iraque, entre 1984 e 1988, ataques sistemáticos a petroleiros já haviam exposto a fragilidade estratégica da rota. Em 2011 e 2012, meras ameaças de bloqueio associadas a sanções ocidentais foram suficientes para elevar expressivamente os preços do petróleo no mercado internacional. O bloqueio efetivo e prolongado de 2026 é inédito em escala — o que sustenta a classificação da IEA como o maior evento de disrupção de oferta já registrado na história do setor energético global.
Iraque recorre ao FMI, escassez global avança e Brasil aguarda plano de contingência
O New York Times, em reportagem de 27 de maio, destacou que “a escassez global de oferta se aprofunda, ameaçando empregos e crescimento em economias importadoras”. A demanda por combustíveis industriais permanece firme enquanto a oferta segue restrita, sustentando a trajetória de alta dos preços e ampliando o impacto sobre cadeias produtivas dependentes do insumo energético.
O governo brasileiro ainda não divulgou um plano de contingência público para o cenário de desabastecimento severo de diesel. A lacuna permanece aberta mesmo com as importações alternativas tendo mais que dobrado e com o barril se aproximando dos US$ 100 — patamar que, sustentado, tende a pressionar os combustíveis no mercado interno e elevar os custos de transporte e produção em toda a cadeia. O FMI e o Banco Mundial, acionados pelo Iraque, ainda não anunciaram os termos formais do apoio.











