sábado, 18 de julho de 2026
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Jensen Huang, da Nvidia, e Aaron Levie, da Box, criticam colegas que usam IA como justificativa para cortes

CEOs de IA recuam e dizem que demissões não são culpa da tecnologia

Jensen Huang, da Nvidia, e Aaron Levie, da Box, criticam colegas que usam IA como justificativa para cortes

· 3 min de leitura · Atualizado em 04.06.2026 · NEXUS A.I. do PIRANOT e Júnior Cardoso

Pontos-chave

  • O fundador da Nvidia classificou esse discurso como "preguiçoso" e disse que ele distorce o papel real da tecnologia nas decisões corporativas.
  • Procurado, o Ministério do Trabalho e Emprego não se manifestou sobre o tema.
  • Em cerca de 60 dias, esse discurso migrou de tática de comunicação para alvo de recuo coletivo, em meio à reação de trabalhadores, sindicatos e reguladores.
  • Na mesma semana, a China ampliou restrições de viagem a profissionais de IA de empresas privadas, e o Google se posicionou como competidor direto em design de chips de IA no evento I/O 2026.
  • Sindicatos de trabalhadores em tecnologia da informação e em serviços acompanham a movimentação global com apreensão.

Jensen Huang, presidente-executivo da Nvidia, e Aaron Levie, presidente-executivo da Box, vieram a público no sábado (30) para rejeitar a tese de que a inteligência artificial seja a principal responsável pelas recentes ondas de demissões no setor de tecnologia. As declarações marcam uma virada de tom em relação ao discurso adotado por executivos do próprio setor nos últimos meses.

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“Estamos assustando as pessoas”, afirmou Huang ao criticar colegas que atribuem cortes de pessoal à IA. O fundador da Nvidia classificou esse discurso como “preguiçoso” e disse que ele distorce o papel real da tecnologia nas decisões corporativas.

Levie, da Box, foi mais incisivo. O executivo cunhou o termo “psicose da IA” para descrever o uso da tecnologia como justificativa para cortes que, segundo ele, decorrem de outros fatores: excesso de contratações no pós-pandemia, reconfiguração de portfólios e pressão de investidores por margens maiores.

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A posição converge com a de David Solomon, presidente-executivo do Goldman Sachs, que em 22 de maio classificou o temor generalizado sobre perda de empregos para a IA como um “exagero”, em entrevista publicada pelo jornal O Globo.

De justificativa a recuo em dois meses

O giro é recente. Em março de 2026, executivos de tecnologia passaram a citar abertamente a IA como principal razão para reduzir quadros, em movimento que transformou a tecnologia em justificativa pública para reestruturações. Em cerca de 60 dias, esse discurso migrou de tática de comunicação para alvo de recuo coletivo, em meio à reação de trabalhadores, sindicatos e reguladores.

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O pano de fundo é mais longo. Desde 2023, com a popularização de grandes modelos de linguagem, o debate sobre automação e emprego ganhou dimensão global. Em 2025, grandes empresas de tecnologia realizaram cortes expressivos, e a justificativa explícita pelo investimento em IA generativa elevou a tensão entre trabalhadores e reguladores.

O setor segue, ao mesmo tempo, em ciclo de forte investimento. O índice de semicondutores registrou em maio a maior alta desde a bolha das ponto-com, impulsionado pela corrida por chips de IA. Na mesma semana, a China ampliou restrições de viagem a profissionais de IA de empresas privadas, e o Google se posicionou como competidor direto em design de chips de IA no evento I/O 2026.

Brasil acompanha o debate no setor financeiro e de tecnologia

No Brasil, onde setores financeiros e de tecnologia aceleram a adoção de IA generativa em operações e atendimento ao cliente, a discussão tem reflexo direto no mercado de trabalho. Sindicatos de trabalhadores em tecnologia da informação e em serviços acompanham a movimentação global com apreensão. Procurado, o Ministério do Trabalho e Emprego não se manifestou sobre o tema.

A moderação de tom dos executivos tem efeitos práticos. Se a tese de que a IA não é a principal responsável pelos cortes recentes se consolidar entre os líderes do setor, ela tende a influenciar políticas públicas de requalificação profissional, regulação setorial e o ritmo de adoção de automação em indústrias intensivas em mão de obra.

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