O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira (28) a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais. A designação, que abrange dois mecanismos legais distintos — Specially Designated Global Terrorists (SDGT) e Foreign Terrorist Organizations (FTO) —, entrará em vigor em 5 de junho. O governo Trump justificou a medida citando a extrema violência dos grupos e sua atuação transnacional.
“O CV e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Juntos, comandam milhares de membros e orquestraram ataques brutais contra policiais, autoridades públicas e civis brasileiros”, afirmou o Departamento de Estado, em comunicado oficial. “Sua influência e redes ilícitas se estendem muito além das fronteiras do Brasil, por toda a nossa região e para dentro do nosso país”, acrescentou.
A classificação como SDGT, gerida pelo Departamento do Tesouro, autoriza o congelamento imediato de bens e ativos que as facções ou seus integrantes possuam em jurisdição americana, além de proibir transações financeiras com qualquer pessoa ou entidade listada. Já o status de FTO, atribuído pelo Departamento de Estado, impede que cidadãos americanos ofereçam qualquer tipo de apoio material aos grupos, sob pena de processo criminal. A dupla designação é um instrumento raro, geralmente reservado a organizações que combinam capacidade de violência com alcance financeiro global.
Na prática, a decisão amplia as possibilidades de cooperação judicial e policial entre os dois países, permitindo o compartilhamento de informações de inteligência e a articulação de operações conjuntas. Autoridades americanas poderão atuar de forma mais agressiva contra ramificações do PCC e do CV nos EUA, inclusive mirando esquemas de lavagem de dinheiro e tráfico de drogas. Os documentos oficiais, disponíveis em inglês e português, adiantam que indivíduos específicos ligados às facções poderão ser incluídos em listas de sanção.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) comemorou a medida nas redes sociais. “Grande dia! Há meses venho pedindo ao presidente Trump que classifique esses grupos como terroristas”, escreveu. A declaração foi acompanhada pela republicação de um vídeo em que o parlamentar aparece ao lado do ex-presidente americano. A iniciativa do senador, contudo, não foi mencionada pelo governo dos EUA na motivação oficial da designação.
O governo brasileiro foi pego de surpresa pelo anúncio. De acordo com fontes do Planalto ouvidas pelo PIRANOT, o Itamaraty e o Ministério da Justiça calculavam o tom da reação, temendo que qualquer manifestação mais enérgica pudesse ser interpretada como proteção aos criminosos. A tendência é de um pronunciamento protocolar, reiterando o compromisso do Brasil no combate ao crime organizado, sem críticas diretas a Washington. A decisão coloca o governo Lula, já pressionado pela segurança pública, em uma posição incômoda diante de um gesto que pode inflamar o discurso da oposição.
A movimentação se soma ao histórico de expansão das facções brasileiras, que nos últimos anos estabeleceram rotas de tráfico em países vizinhos e presença em comunidades imigrantes nos EUA. O acervo de segurança pública do PIRANOT tem documentado essa evolução, reunindo análises sobre o avanço do PCC e do CV no cenário internacional. A reportagem continuará acompanhando os desdobramentos diplomáticos e os efeitos práticos da classificação.











