As procuradoras-gerais de Nova York, Letitia James, e de Nova Jersey, Jennifer Davenport, anunciaram nesta quarta-feira (27) a abertura de uma investigação formal sobre as práticas de venda de ingressos da Fifa para a Copa do Mundo de 2026. A ação conjunta entre os dois estados americanos busca apurar se a entidade máxima do futebol induziu torcedores ao erro sobre a localização dos assentos comercializados e se declarou publicamente informações que contribuíram para a alta dos preços. O torneio começa em 11 de junho, com jogos distribuídos entre Estados Unidos, México e Canadá.
Em comunicado conjunto, as autoridades citaram “reportagens recentes” que indicam possíveis práticas enganosas na comercialização dos ingressos. “Os torcedores podem ter sido induzidos ao erro sobre a localização dos assentos que compraram e as declarações públicas da Fifa, assim como o processo de venda de ingressos, podem ter contribuído para os aumentos exorbitantes de preços”, afirmaram as procuradoras em declaração oficial. A investigação ainda está em fase inicial e não há conclusões ou acusações formais contra a entidade.
Segundo dados divulgados na imprensa especializada, o preço dos ingressos aumentou em 90 dos 104 jogos da Copa. O foco inicial da investigação são as oito partidas programadas para o MetLife Stadium, em Nova Jersey, incluindo a final do torneio marcada para 19 de julho. O estádio tem capacidade para aproximadamente 82 mil espectadores e foi palco da final da Copa América em 2024. A região de Nova York e Nova Jersey deve receber impacto econômico superior a US$ 500 milhões durante o torneio, segundo estimativas do setor.
Preço dinâmico e revenda sob escrutínio
A Copa de 2026 será a primeira com 48 seleções e 104 jogos, formato expandido que aumenta significativamente a demanda por ingressos. O sistema de “preço dinâmico” adotado pela Fifa permite ajustes em tempo real conforme a demanda, prática que tem sido alvo de críticas desde o início das vendas. Reportagens de abril indicam que preços de revenda para a final do torneio chegavam a valores equivalentes a R$ 11 milhões no marketplace oficial da Fifa, valor que inclui taxas de 15% sobre o vendedor e 15% sobre o comprador. A Fifa opera o marketplace oficial de revenda, mas não controla os valores pedidos pelos vendedores — o que permite que ingressos sejam oferecidos por valores muito acima do preço original.
Na semana passada, a prefeitura de Nova York anunciou um sorteio de mil ingressos a US$ 50 cada, medida que contrasta com os valores praticados no mercado oficial da Fifa. A iniciativa foi criada como alternativa para torcedores que não conseguem pagar os preços do mercado oficial. “Reportagens recentes indicam que os torcedores podem ter sido enganados quanto à localização dos assentos que compraram e que as declarações públicas da Fifa e o processo de venda de ingressos podem ter contribuído para o aumento dos preços”, acrescentaram as autoridades no comunicado.
Impacto para torcedores brasileiros
O Brasil é tradicionalmente uma das maiores torcidas internacionais presentes em Copas do Mundo. Torcedores brasileiros que planejam viajar para o torneio podem ser afetados diretamente pelas práticas sob investigação. A matéria Modelo com 100% de acerto prevê eliminação do Brasil e título da Holanda, publicada anteriormente pelo PIRANOT, apresenta a expectativa de desempenho da seleção brasileira no torneio.
Precedente regulatório
Historicamente, a Fifa já enfrentou críticas por suas políticas de ingressos em Copas anteriores. O modelo de preços dinâmicos foi introduzido recentemente e permite ajustes em tempo real. Críticos argumentam que o sistema beneficia revendedores e dificulta o acesso de torcedores comuns. A investigação de Nova York e Nova Jersey pode estabelecer um precedente para outras jurisdições que sediam jogos do torneio. A Copa 2026 terá partidas em 16 cidades distribuídas entre os três países sede.
A investigação deve solicitar documentos da Fifa sobre as práticas de venda e comunicação pública. Não há prazo definido para conclusão. Entre as perguntas sem resposta está se a Fifa emitirá posicionamento oficial sobre as acusações e se torcedores brasileiros podem participar de eventuais ações coletivas. A assessoria de imprensa da Fifa não havia se pronunciado até a publicação desta matéria.











