sábado, 18 de julho de 2026
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Pré-candidatos mantêm diálogo mas enfrentam obstáculos estatutários; aliados avaliam chapa unificada como improvável

Zema e Caiado se encontram em SP e adiam decisão sobre aliança para junho

Pré-candidatos mantêm diálogo mas enfrentam obstáculos estatutários; aliados avaliam chapa unificada como improvável

· 4 min de leitura · Atualizado em 31.05.2026 · NEXUS A.I. do PIRANOT e Júnior Cardoso

Pontos-chave

  • Lula lidera pesquisas no primeiro turno, mas empata tecnicamente com opositores no segundo turno.
  • Especula-se uma chapa apelidada "Ro-Ro", junção dos nomes Romeu e Ronaldo.
  • O principal entrave para a aliança está nas regras internas do Novo, partido de Zema.
  • Zema sinalizou que definição sobre composição deve ocorrer na data-limite de 15 de agosto.

Os ex-governadores Romeu Zema (Novo-MG) e Ronaldo Caiado (PSD-GO) se reuniram na terça-feira (26) em São Paulo para discutir uma possível aliança presidencial para 2026, mas saíram sem acordo e com novo encontro marcado para início de junho. Após confrontar informações do Estado de Minas e do Valor Econômico, o quadro que emerge é de um diálogo inicial entre dois líderes do campo oposicionista que reconhecem a necessidade de unificação, mas esbarram em obstáculos estruturais de seus partidos.

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Caiado confirmou o novo encontro em declaração nesta quarta-feira (27). “Voltaremos a nos encontrar daqui a 10 dias”, afirmou o pré-candidato do PSD. Zema, por sua vez, sinalizou cautela no ritmo das negociações. Segundo o ex-governador mineiro, uma definição sobre composição da direita deve ser fechada “na data-limite”, em referência ao prazo eleitoral. A declaração foi feita ao Estado de Minas.

O encontro reacendeu especulações sobre uma possível chapa “Ro-Ro” — apelido que junta os nomes Romeu e Ronaldo. No entanto, a viabilidade dessa composição enfrenta questionamentos de aliados de ambos os lados. Um presidente de partido de centro ouvido pela coluna Platobr avaliou ser “muito pouco provável” uma aliança formal. “Difícil algum deles ceder, e ainda convencer o próprio partido”, afirmou, sob reserva de identidade.

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Obstáculos estatutários e disputa pela cabeça de chapa

O principal entrave para uma chapa unificada está nas regras internas do Novo, partido de Zema. A legenda tem estatuto contrário a coligações em eleições majoritárias — uma posição que reflete a identidade “antipolítica” que o partido construiu desde sua fundação. O PSD, por sua vez, possui maior flexibilidade para alianças, mas enfrenta o desafio de convencer sua base a apoiar um candidato de outra legenda.

Além da questão partidária, há o problema da definição da cabeça de chapa: quem seria o candidato a presidente e quem ocuparia a vice? Ambos os pré-candidatos têm trajetória como governadores e bases eleitorais consolidadas. Zema foi duas vezes governador de Minas Gerais, o maior colégio eleitoral do país, com cerca de 22 milhões de eleitores. Caiado governou Goiás, estado com o terceiro maior PIB nacional, e tem mandato como senador.

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Caiado classificou Zema como “uma pessoa aberta” e disse que “existe o sentimento” para uma aliança entre os dois. “Atestado de credibilidade para a população”, completou o pré-candidato do PSD, em referência à percepção de que uma chapa unificada fortaleceria o projeto eleitoral da oposição.

Histórico de aproximação e cenário eleitoral

Zema e Caiado já haviam se encontrado em setembro de 2025 para tratar das eleições de 2026. Em abril deste ano, os dois fizeram agendas cruzadas nos estados um do outro: Zema esteve em Goiás e Caiado em Minas Gerais. Na ocasião, Caiado descartou uma chapa com Flávio Bolsonaro (PL), que enfrenta recuo nas pesquisas após o caso Vorcaro.

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A aproximação entre os dois ocorre em um cenário de fragmentação do campo oposicionista. Além de Zema e Caiado, Flávio Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) são nomes articulados para 2026. A divisão de votos ameaça a competitividade da oposição no primeiro turno, especialmente diante de pesquisas que mostram o presidente Lula (PT) liderando as intenções de voto, mas empatando tecnicamente no segundo turno com candidatos da oposição, segundo levantamento BTG/Nexus de abril.

Ceticismo nos partidos e perspectivas

Aliados de Zema admitem que há negociações em curso, mas mantêm cautela sobre os desdobramentos. O ceticismo sobre a viabilidade da chapa “Ro-Ro” permeia tanto o Novo quanto o PSD, segundo apurou a revista Veja. A avaliação é que nenhum dos dois pré-candidatos aceitaria abrir mão da cabeça de chapa sem garantias políticas concretas.

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Outro obstáculo apontado por analistas é a questão programática. O Novo se posiciona como partido liberal-conservador, com ênfase em pautas econômicas. O PSD, por sua vez, tem base mais pragmática e regional. A conciliação de agendas entre as duas legendas exigiria negociações que podem se arrastar até próximo do prazo eleitoral.

O próximo encontro entre Zema e Caiado está previsto para início de junho. A expectativa é que as negociações avancem sobre cenários concretos de composição, incluindo a possibilidade de um terceiro nome na chapa — como Ratinho Júnior (PSD-PR), frequentemente citado como alternativa de vice. A definição final tende a se arrastar até próximo do prazo eleitoral, conforme sinalização de Zema sobre a “data-limite”.


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