sábado, 18 de julho de 2026
Publicidade
Encontro entre Valdemar Costa Neto e Marcos Pereira busca destravar impasses estaduais para viabilizar campanha de Flávio Bolsonaro; aliança em Minas avança, mas tensões persistem no Rio

PL e Republicanos negociam candidaturas em MG, RJ e MT em reunião em Brasília

Encontro entre Valdemar Costa Neto e Marcos Pereira busca destravar impasses estaduais para viabilizar campanha de Flávio Bolsonaro; aliança em Minas avança, mas tensões persistem no Rio

· 4 min de leitura · Atualizado em 31.05.2026 · NEXUS A.I. do PIRANOT e Júnior Cardoso

Pontos-chave

  • Rogério Marinho participou do encontro como coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.
  • A aliança em Minas Gerais foi confirmada, mas a posição do senador Cleitinho segue incerta.
  • No Rio de Janeiro, o PL demonstra incômodo com a pré-candidatura de Anthony Garotinho ao governo.
  • Um prazo interno do partido avalia se Flávio tem viabilidade para crescer nas pesquisas.
  • Em Mato Grosso, a negociação busca resolver a divisão de votos entre Jayme Campos e Otaviano Pivetta.

Presidentes do PL e do Republicanos se reuniram nesta quarta-feira (27) em Brasília para destravar candidaturas estaduais e viabilizar a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. O encontro a portas fechadas entre Valdemar Costa Neto e Marcos Pereira acontece menos de 24 horas após a confirmação de aliança em Minas Gerais e sob pressão de um prazo interno do PL para avaliar a viabilidade do pré-candidato.

Publicidade

A reunião contou com a presença do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, e teve como foco principal as negociações em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Mato Grosso — três estados estratégicos para a oposição em 2026. Segundo fontes do setor, os dirigentes tentam destravar questões relativas a candidaturas estaduais em um momento de articulação intensa.

A aproximação entre as siglas representa uma guinada na estratégia bolsonarista. Em dezembro de 2025, Flávio articulava com PL, União e PP, sem o Republicanos. A mudança de cenário reflete tanto a necessidade de ampliar a base de apoio quanto as tensões internas que marcaram os primeiros meses de pré-campanha. Conforme reportou o PIRANOT, Valdemar negou a existência de um prazo formal para Flávio crescer nas pesquisas, mas a pressão interna por resultados é reconhecida por dirigentes.

Publicidade

Minas Gerais e o segundo maior colégio eleitoral

A aliança em Minas Gerais foi confirmada no dia 26 de maio, mas a posição do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) ainda não está definida. O partido tem interesse em lançar Cleitinho ao governo, enquanto o PL negocia o apoio à empreitada. Flávio Bolsonaro descartou a aliança com Mateus Simões, pré-candidato aliado do governador Romeu Zema (Novo), e selou aproximação com o Republicanos. Uma reunião anterior em Brasília com os deputados Rogério Marinho, Zé Vitor e Flávio Roscoe fortaleceu a parceria, apesar de a liderança da chapa permanecer indefinida.

A articulação envolve o segundo maior colégio eleitoral do país e impacta diretamente a estratégia oposicionista para 2026. O estado foi governado por Zema desde 2019, e a cisão entre o governador e o bolsonarismo local abre espaço para uma candidatura alternativa de centro-direita. A decisão de descartar Simões representa uma ruptura com o grupo que apoiou Jair Bolsonaro em 2018 e 2022.

Publicidade

Tensões no Rio e Mato Grosso

No Rio de Janeiro, a pré-candidatura de Anthony Garotinho (Republicanos) ao governo é ponto de tensão nas negociações. O PL manifestou incômodo com a candidatura de Garotinho, e há indicações de que um apoio em Minas pode ser condicionado à retirada do nome no Rio. A manobra reflete a complexidade de costurar alianças estaduais coerentes com uma estratégia nacional. Garotinho é filho do ex-governador Anthony Garotinho e da ex-prefeita de Duque de Caxias Lica Archer, e carrega o peso político da família no estado.

Em Mato Grosso, a divisão de votos entre Jayme Campos (PL) e Otaviano Pivetta (Republicanos) também deve ser debatida. Os dois partidos dividem o eleitorado no estado, o que complica a formação de uma chapa única. A reunião desta quarta-feira buscou avançar nessas pendências, mas não houve anúncio de acordos formais ao final do encontro.

Publicidade

O prazo interno e a crise Vorcaro

A reunião entre Valdemar e Marcos Pereira ocorre em um momento delicado para a campanha de Flávio Bolsonaro. A cúpula do PL estabeleceu um prazo de 15 dias para avaliar a viabilidade da candidatura após conversas com o empresário Daniel Vorcaro. O período começou em 20 de maio e coloca pressão sobre as negociações estaduais. Vorcaro foi preso em operação da Polícia Federal e posteriormente liberado, e a aproximação com Flávio gerou desconforto interno.

Em declarações anteriores, Marcos Pereira já havia sinalizado distanciamento. O presidente do Republicanos afirmou que “decisões do PL afastam Republicanos de aliança” e que “quem tem que buscar apoios é ele [Flávio]”. A fala revelava a tensão entre as siglas há meses, tornando a reunião desta quarta um passo importante — mas não definitivo — para a aproximação.

Publicidade

O PIRANOT reportou anteriormente que Flávio Bolsonaro admitiu visita a Daniel Vorcaro quando o empresário usava tornozeleira eletrônica. A crise gerou desconforto interno no PL e alimentou questionamentos sobre a capacidade de articulação do pré-candidato.

O que esperar agora

A articulação entre PL e Republicanos deve avançar nas próximas semanas, mas os impasses estaduais revelam a complexidade de costurar uma aliança nacional. A definição de candidaturas em MG, RJ e MT será decisiva para a viabilidade da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. O prazo de 15 dias estabelecido pela cúpula do PL termina na primeira semana de junho, o que impõe ritmo acelerado às negociações.


Publicidade